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Caetano Veloso reflete sobre o Brasil: 'Parece incapaz de salvar a si mesmo'

Em entrevista ao El País, cantor fala sobre sua trajetória, música brasileira e desafios enfrentados pelo país.

01/06/2026
Caetano Veloso reflete sobre o Brasil: 'Parece incapaz de salvar a si mesmo'
Caetano Veloso - Foto: Reprodução

Em entrevista ao jornal espanhol El País, Caetano Veloso compartilhou reflexões sobre sua trajetória, o Brasil e as perspectivas para o futuro do país.

Durante passagem pela Europa para uma série de shows, o artista falou sobre o processo de escolha do repertório e a recepção das músicas nos dias de hoje. “A seleção de músicas é bem atual, porque são canções fortes que confrontam os absurdos do mundo. Elas vêm de diferentes períodos da minha vida, sim, mas agora soam diferentes porque o mundo parece muito louco”, destacou.

Ao relembrar o passado, Caetano abordou a perseguição que sofreu durante a Ditadura Militar. Questionado sobre o risco de retorno de regimes autoritários, o cantor se mostrou preocupado: “Há pessoas que dizem publicamente que gostariam que a ditadura militar voltasse. E dizem isso com muita naturalidade. Para mim, isso é insuportável. Prisão, confinamento e exílio foram experiências muito dolorosas”, afirmou. “Ficamos presos por dois meses, depois confinados por vários meses em Salvador e, posteriormente, exilados por mais de dois anos. Isso até mudou a forma como encaro o mundo.”

Sobre o futuro do Brasil, Caetano revelou incertezas e inquietações: “No momento, a preocupação predomina em mim; às vezes, uma espécie de desencanto. Tento evitar uma visão excessivamente idealizada da realidade”, comentou.

Apesar do cenário desafiador, o cantor reconhece a força da música nacional: “A música popular brasileira ainda representa uma das grandes forças culturais do país, mas hoje as coisas estão tão feias... O Brasil parece incapaz de se salvar”, disse. “Mas, ao mesmo tempo, ainda tenho a sensação de que ela pode dizer algo importante ao mundo, trazer uma presença diferente, uma outra sensibilidade. Esse sentimento não morreu dentro de mim.”