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'Golpe Explosivo' aposta alto, mas tropeça em excesso de reviravoltas
Novo thriller dirigido por David Mackenzie começa com tensão e ritmo, mas perde força ao apostar em surpresas previsíveis.
O thriller de tensão segue uma fórmula consagrada: colocar personagens habilidosos em situações-limite e deixar o tempo correr. Exemplos marcantes desse estilo são 'Velocidade Máxima', 'Fogo Contra Fogo' e boa parte da tradição dos filmes de assalto britânicos, desde 'Roubo ao Banco da Inglaterra'. Em 'Golpe Explosivo', dirigido por David Mackenzie (de 'A Qualquer Custo'), essa gramática é respeitada inicialmente, mas logo o filme se perde em suas próprias ambições.
Logo nos primeiros minutos, uma bomba não detonada da Segunda Guerra Mundial é descoberta no centro de Londres. Enquanto o esquadrão antibomba do exército britânico, liderado por Aaron Taylor-Johnson ('Extermínio: A Evolução'), trabalha contra o relógio para desarmar o artefato, um grupo de assaltantes aproveita o caos para invadir o cofre de um banco próximo.
O roteiro opta por dispensar apresentações detalhadas: os personagens vão sendo revelados no calor da ação, o que faz o primeiro ato funcionar com precisão. David Mackenzie conduz a tensão com habilidade, imprimindo realismo às decisões tomadas sob pressão pelo esquadrão antibomba.
O elenco, formado também por Theo James ('O Macaco'), Sam Worthington ('Avatar') e Gugu Mbatha-Raw ('Loki'), entrega atuações contidas e eficazes. Por instantes, o filme parece alcançar um equilíbrio raro no gênero: inteligência, visceralidade e autenticidade.
Cansaço
O problema surge à medida que 'Golpe Explosivo' perde confiança em sua tensão natural, cedendo espaço a uma sequência de reviravoltas que, em vez de surpreender, acabam desgastando o espectador. O grande twist — anunciado desde o início — não entrega o impacto esperado. Essa armadilha de roteiros que depositam tudo em um único momento culminante faz com que bons momentos sejam sacrificados por um desfecho previsível.
No entanto, há méritos inegáveis. Mackenzie demonstra disciplina visual, e o filme raramente parece inflado ou apressado. O ritmo é consistente, e os cenários contribuem para o clima dramático. Nos melhores momentos, 'Golpe Explosivo' reafirma que o cinema de gênero, quando bem executado, pode ser envolvente sem recorrer a superpoderes ou universos compartilhados.
O longa está longe de ser um desastre e supera muitos thrillers genéricos lançados por plataformas de streaming, que confundem velocidade com urgência.
Há cuidado artesanal e intenção clara, mas o roteiro cobra um preço alto ao apostar tudo no final: sacrifica a credibilidade emocional construída ao longo da trama em troca de um golpe narrativo que não funciona como planejado — uma ironia involuntária para um filme cujo título promete exatamente isso.
No fim, 'Golpe Explosivo' é um thriller competente que almejava ser extraordinário. Tem a bomba, o elenco e o diretor certos, mas faltou confiar que a própria premissa já era suficientemente explosiva.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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