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Livro revela impacto do planejamento urbano na infância

Jornalista lança obra sobre cidades brasileiras que priorizaram crianças e mães na arquitetura das ruas, reduzindo desigualdades.

Redação com Assessoria 27/05/2026
Livro revela impacto do planejamento urbano na infância
Livro revela impacto do planejamento urbano na infância

A configuração das metrópoles modernas foi historicamente desenhada para privilegiar o fluxo rápido de veículos automotores, negligenciando a segurança e o ritmo dos pedestres. No Brasil, onde massivos 87% da população reside em áreas urbanas — superando com folga a média global de 56% —, essa hostilidade asfáltica atua como um motor silencioso de exclusão social. Para debater como calçadas esburacadas, tempos semafóricos curtos e a escassez de áreas verdes impactam diretamente os cidadãos mais jovens, a jornalista e mestre em políticas públicas Regina Cintra lança a obra Cidades que Abraçam Infâncias, publicada pela Editora Dialética.

O livro afasta-se dos jargões acadêmicos herméticos para propor um diagnóstico acessível sobre a relação entre a primeira infância e o desenho das cidades. O ponto de partida da pesquisa é uma constatação neurocientífica: os primeiros anos de vida são determinantes para a formação da arquitetura cerebral. Ambientes urbanos agressivos, barulhentos e desprovidos de espaços de lazer seguro geram estresse tóxico nos bebês, comprometendo a plasticidade neural e o desenvolvimento cognitivo de longo prazo.

A jornada exaustiva das cuidadoras

As disfunções do planejamento urbano castigam de forma duplicada as mulheres, que respondem pela esmagadora maioria dos deslocamentos de cuidado (levar crianças a creches, exames médicos e parques). A ausência de coberturas adequadas nos pontos de ônibus, a falta de rebaixamento de guias para carrinhos de bebê e a inalação direta de gases poluentes — que atingem mais fortemente o sistema respiratório infantil devido à menor estatura física — transformam o direito de ir e vir em uma rotina extenuante.

“Não adianta o poder público oferecer postos de saúde e creches se o trajeto para chegar a esses equipamentos for uma barreira física para a comunidade. A gestão municipal precisa remover os obstáculos das ruas para facilitar o cotidiano das famílias”, defende Regina Cintra.

Modelos de sucesso nacionais e internacionais

Para provar que a transformação das vias públicas é viável a baixo custo, a pesquisadora realizou um estudo de campo imersivo em quatro realidades geográficas distintas, coletando entrevistas com gestores e urbanistas estratégicos:

  • Boa Vista (RR): Conhecida nacionalmente como a capital da primeira infância por integrar políticas intersetoriais de saúde e praças lúdicas;
  • Jundiaí (SP): Polo industrial de alto IDH que incluiu a escuta de comitês de crianças no plano diretor municipal;
  • Recife (PE): Capital que superou uma topografia desafiadora de morros criando as Redes de COMPAZ (Centros Comunitários da Paz) para inclusão social;
  • Medellín (Colômbia): Caso de sucesso internacional que utilizou o urbanismo social (teleféricos, bibliotecas públicas em favelas e parques lineares) para pacificar territórios periféricos.

Composta por 220 páginas, enriquecida com ilustrações de Erika Teixeira e 70 registros fotográficos de campo, a obra consolida-se como um manual prático de cidadania. O livro demonstra que calçadas largas, árvores urbanas e espaços de convivência seguros deixaram de ser demandas estéticas acessórias e assumiram o status de ferramentas obrigatórias para mitigar a pobreza estrutural e garantir a saúde pública das novas gerações de brasileiros. Os exemplares estão disponíveis para aquisição nos canais oficiais da editora.