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Loulu Gilberto lança disco de estreia inspirado no universo musical de João Gilberto

Redação com agências 27/05/2026
Loulu Gilberto lança disco de estreia inspirado no universo musical de João Gilberto
Loulu Gilberto

A cantora Loulu Gilberto, filha mais nova de João Gilberto, lançou seu primeiro álbum, um trabalho homônimo que mergulha no universo musical do pai, um dos criadores da bossa nova e um dos nomes mais influentes da música brasileira.

Aos 21 anos, Loulu apresenta um repertório que vai além da homenagem direta ao artista baiano, morto em 2019, explorando também elementos do samba, jazz, samba-canção, cantigas de ninar e clássicos da música nordestina.

Produzido por Cézar Mendes e Mario Adnet, o disco reúne 13 faixas e resgata músicas que fizeram parte da formação afetiva e musical da cantora dentro de casa.

Entre os destaques está “Manias”, composição de Flavio Cavalcanti e Celso Cavalcanti gravada originalmente por Dolores Duran em 1955, reforçando a ligação de Loulu com o samba-canção.

O álbum também traz a inédita “O Amor nos Encontrou”, parceria de Carlos Lyra e Ronaldo Bôscoli que permaneceu guardada durante décadas. Antes do lançamento atual, existia apenas uma gravação privada feita por João Gilberto.

O repertório inclui ainda standards internacionais como “Tea for Two” e “Mr. Sandman”, além de músicas brasileiras como “Joujoux e Balangandãs”, “Cuidado com o Andor”, “Dorme Que Eu Velo por Ti”, “Duas Contas” e “Beija-me”.

Outra presença marcante no disco é “Qui Nem Jiló”, clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira admirado por João Gilberto.

Segundo Loulu, muitas das músicas escolhidas surgiram a partir de lembranças da convivência com o pai e de gravações raras encontradas anos depois.

“Essas músicas estão num lugar da minha memória. Ele cantava e eu ouvia. Quando encontrei as gravações, para montar o repertório, soaram familiares”, afirmou.

O álbum conta ainda com participações especiais de Tom Veloso, em “Avarandado”, Daniel Jobim, no piano de “Tea for Two”, e Maria Carvalhosa, em “Joujoux e Balangandãs”.

As orquestrações assinadas por Mario Adnet — com cordas gravadas pela St. Petersburg Estudio Orchestra — dialogam diretamente com a delicadeza estética presente nos discos de João Gilberto.

Com voz suave e interpretação marcada pela influência do pai, Loulu Gilberto aposta em releituras que resgatam a modernidade do cancioneiro brasileiro clássico.

“Esse cancioneiro ficou num lugar muito especial da minha cabeça. Eu lembrava das músicas, mas não exercitava aquilo. Ficou guardado até que a gente começou a falar em disco”, destacou a cantora.