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Morre Carlos Guilherme Mota, referência da historiografia brasileira

Professor Emérito da USP, Mota deixa legado intelectual e obras fundamentais sobre a história e cultura do Brasil.

20/05/2026
Morre Carlos Guilherme Mota, referência da historiografia brasileira
Carlos Guilherme Mota - Foto: Reprodução / Roda Viva

Carlos Guilherme Mota, renomado historiador, Professor Emérito da USP e ganhador do Prêmio Machado de Assis, faleceu aos 85 anos.

A informação foi confirmada por sua filha à Editora 34, responsável pela publicação de parte de sua obra. Detalhes sobre velório e sepultamento serão divulgados em breve.

Nascido em São Paulo, em 1941, Mota foi professor titular de História Contemporânea na FFLCH-USP e de História da Cultura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Como autor, publicou títulos de grande relevância, como A Ideia de Revolução no Brasil e Outras Ideias, 1789-1799: a Revolução Francesa, História do Brasil e Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974). Neste último, analisou a formação do pensamento crítico nacional, de Mário de Andrade e Caio Prado Jr. a Antonio Candido e Ferreira Gullar.

Em parceria com Fernando Novais, historiador falecido em abril deste ano aos 93 anos, escreveu A Independência Política do Brasil.

Ao longo de sua trajetória, Mota foi fundador e primeiro diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP (1986-1988) e dirigiu a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (2014).

Foi também professor visitante nas universidades de Londres, Texas, Salamanca e Stanford, além de atuar como membro da Comissão de Avaliação do Programa de América Latina da Universidade de Princeton (EUA) e do Wilson Center (Washington). Ocupou ainda o cargo de Diretor de Estudos da École des Hautes Études (Paris).

Mota exerceu o papel de Diretor do Arquivo do Estado de São Paulo e foi um dos criadores do Memorial da América Latina, a convite de Darcy Ribeiro, responsável pela elaboração do perfil institucional do espaço.

Em 2009, recebeu o título de Professor Emérito da USP e, em 2011, foi laureado com o Prêmio Machado de Assis pela Academia Brasileira de Letras, em reconhecimento ao conjunto de sua obra.

Em entrevista ao Estadão, em 2019, Mota refletiu sobre o cenário político brasileiro e o papel da História: "Falar do futuro exige projeções sólidas. Sem elas, o que temos é uma nebulosa mesmo, não há muita saída. Mas a meu ver há uma revolução que precisa ser feita, que é valorizar o estudo da História. Autores recentes como Yuval Harari estão clamando por mais atenção para os movimentos histórico-culturais de longa duração. O horizonte é de construção para longo prazo, e temos, nós brasileiros, de aprender essa lição".