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Violoncelista da Sinfônica de MG lança livro sobre racismo

Vencedor do Prêmio Resistência, Carlos Márcio une música e poesia em 'Racismo, Constante como o Tempo' para denunciar apagamento negro.

Redação com Assessoria 13/04/2026
Violoncelista da Sinfônica de MG lança livro sobre racismo
Carlos Márcio

O tempo não cura feridas que a sociedade insiste em manter abertas. É sob esta premissa que Carlos Márcio, violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, faz sua estreia no mercado editorial com o livro “Racismo, Constante como o Tempo”. Laureada com o Prêmio Resistência 2025, a obra cruza poesia, crônica e ensaio para desmontar o mito da democracia racial e expor as engrenagens do racismo estrutural no Brasil contemporâneo.

Natural de Sabará (MG), Carlos Márcio utiliza sua posição privilegiada e, ao mesmo tempo, desafiadora — a de um artista negro em um ambiente historicamente embranquecido como a música erudita — para narrar o que as partituras silenciam. O lançamento oficial será marcado por um Concerto-Lançamento no dia 23 de maio, no Teatro Municipal de Sabará, unindo a performance ao vivo do violoncelo à leitura de seus versos potentes.


A voz de quem vive a música e a exclusão

Graduado e mestre pela UFMG, o autor reflete sobre a dualidade de sua profissão. Um dos pontos centrais da obra é a denúncia do apagamento de corpos negros mesmo em espaços de prestígio, como o Palácio das Artes em Belo Horizonte. Carlos Márcio relata o incômodo de ser obrigado, pelo ofício, a executar óperas que glorificam bandeirantes e figuras ligadas à escravidão.


"O violoncelo me emprestou um ouvido para o mundo; a escrita me deu uma língua", define o autor. Sua escrita não foge do confronto: o livro conecta bulas papais do século XV a microagressões sofridas em portarias de prédios de luxo hoje, provando que a estrutura racista é camaleônica e persistente.


Roteiro de Lançamentos e Acessibilidade Cultural

A obra conta com o respaldo de vozes importantes da militância negra e acadêmica, como Rosália Diogo e Carlos Aleixo. A turnê de lançamento percorrerá diversas cidades mineiras, levando a discussão sobre literatura negra para além da capital:

  • Belo Horizonte: 20 de maio (Auditório Vivaldi Moreira) e 27 de junho (Casa Canjerê).

  • Sabará: 23 de maio (Teatro Municipal).

  • Divinópolis: 11 de junho.

  • Diamantina: 19 de julho (Ateliê do Choro).

  • Ouro Branco: Novembro (Semana da Consciência Negra).

Mais do que um livro de memórias, "Racismo, Constante como o Tempo" é um convite ao incômodo e à ação. Na dedicatória, o autor deixa o recado: "A todos que um dia me fizeram sentir o racismo: vocês despertaram em mim a escrita. Agora, leiam. Se puderem".

Serviço:


  • Livro: Racismo, Constante como o Tempo

  • Autor: Carlos Márcio

  • Editora: Arte da Palavra