RJ em Foco
Mãe e filha sobrevivem a desabamento de casarão no Cosme Velho
Câmeras registraram mulher de 43 anos e menina de 2 anos no acesso à vila quando imóvel veio abaixo; ambas foram socorridas.
Por pouco, o desabamento de um casarão no Cosme Velho, Zona Sul do Rio, não terminou em tragédia neste sábado. Câmeras de segurança registraram o momento em que uma mãe de 43 anos e a filha, de apenas 2, levantada em um carrinho, são surpreendidas pela queda de parte do imóvel quando passavam pelo corredor de acesso à vila onde moram. Atingidas pelos destroços, as duas foram socorridas e levadas para o Hospital Miguel Couto, na Gávea. O acidente ocorreu em uma área onde moradores já vinham alertando sobre a deterioração de casarões antigos e levou a prefeitura a anunciar, horas depois, a desapropriação do imóvel que desabou.
Após o desabamento, que aconteceu durante um período de tempo instável, as vítimas residem em uma vila ao lado do casarão e estavam transitando pelo corredor de acesso quando o prédio desabou. Segundo o Corpo de Bombeiros, ambas foram classificadas como vítimas amarelas, de gravidade moderada.
Ainda de acordo com o Corpo de Bombeiros, o segundo pavimento do imóvel não resistiu e desabou parcialmente. Parte do imóvel vizinho também foi atingida. A Defesa Civil Municipal foi acionada para avaliar as condições da estrutura e a segurança do local.
O caso chama atenção para um problema já identificado na região. Em abril de 2025, uma reportagem do GLOBO mostrou as condições de conservação de casarões históricos do Cosme Velho, alguns deles com problemas estruturais e sinais de abandono.
O desabamento ocorreu na altura do número 315, próximo ao Colégio São Vicente de Paulo. A ocorrência mobilizou equipes do quartel do Catete. Segundo o Centro de Operações Rio (COR), a via está parcialmente interditada no sentido Laranjeiras, nas proximidades do Colégio São Vicente de Paulo. O trânsito funciona em esquema de pare e siga no trecho, e há retenção em ambos os sentidos.
Equipes do quartel do Catete foram acionadas e estão no local. Agentes da CET-Rio e da Guarda Municipal também estão atuando na ocorrência. A Defesa Civil e a Subprefeitura foram acionadas.
Ainda não há informações oficiais sobre as causas do desabamento ou sobre a estrutura atingida. As equipes continuam trabalhando no local para avaliar a situação. O Centro de Operações recomenda que motoristas redobrem a atenção ao passar pela região.
Prefeitura anuncia desapropriação
Após o desabamento, a Prefeitura do Rio irá desapropriar o casarão que desabou parcialmente neste sábado, na Rua Cosme Velho, na Zona Sul, além da Casa Portinari, localizada do outro lado da via, e do Solar dos Abacaxis. O anúncio foi feito pelo prefeito Eduardo Cavaliere, que afirmou que os decretos de desapropriação serão publicados no Diário Oficial na próxima segunda-feira.
— Na segunda-feira será publicada no Diário Oficial a desapropriação deste imóvel que desabou, assim como da Casa Portinari do outro lado da rua e também do Solar dos Abacaxis, para garantir esse primeiro bloco de imóveis aqui — afirmou o prefeito.
Cavaliere também comentou que, após as desapropriações, a intenção da Prefeitura é dar novos usos aos imóveis. Segundo ele, os bens poderão ser colocados à venda por meio de leilão público.
— É papel da Prefeitura intervir, desapropriar e colocar à venda em leilão público, para que os imóveis tenham um novo destino e uso para a população — declarou.
Casarões em situação de risco
A reportagem publicada pelo GLOBO em abril do ano passado evidenciou que moradores do Cosme Velho já haviam alertado sobre a deterioração de imóveis históricos do bairro. Um dos exemplos era o casarão onde viveu o pintor Candido Portinari, no número 353 da Rua Cosme Velho, a poucos metros do local do desabamento deste sábado.
A situação não se restringia ao imóvel de Portinari. Uma associação de moradores do bairro havia mapeado outros casarões e entregue um relatório de diagnóstico de risco ao poder público, que mencionava problemas como infiltrações, desprendimento de revestimentos das fachadas, esquadrias danificadas e telhados com risco de ruir. Entre os imóveis destacados estão construções nos números 362 e 370 da Rua Cosme Velho, além do casarão de Portinari e do Solar dos Abacaxis.
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