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Greve dos ônibus entra no terceiro dia com passageiros ainda passando sufoco; 'Não consegui nada', diz um deles

TRT-RJ antecipou para esta quarta-feira, às 11h, a realização de nova rodada de negociações sobre a paralisação

Agência O Globo - 01/07/2026
Greve dos ônibus entra no terceiro dia com passageiros ainda passando sufoco; 'Não consegui nada', diz um deles
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O terceiro dia de greve dos rodoviários ainda causa transtornos para quem depende de ônibus municipais do Rio. No terminal rodoviário de Deodoro, na Zona Oeste, é grande o movimento de passageiros nas primeiras horas desta quarta-feira. O vigia Carlos Augusto  da Costa, de 64, era uma das pessoas que aguardava na fila de embarque da linha 754 (Deodoro X Santa Cruz via Palmares) para conseguir ir para casa. Após 35 minutos de espera, ele decidiu embarcar em outro coletivo. 

— Pego o ônibus das 5h todos os dias. Fiquei 40 minutos aqui esperando e nada de ele aparecer. Vou no 388 (Deodoro x Casarão). Vou descer na Avenida Brasil e tento a sorte lá com um outra condução — disse.

O militar Caio Vilas Boas, de 19 anos, foi outro que não conseguiu embarcar em um ônibus. Morador de Campo Grande, na Zona Oeste, ele conseguiu embarcar numa van que o levou até o terminal de Deodoro. Para chegar até a Ilha do Governador, na Zona Norte, ele disse que a saída seria usar um aplicativo de motocicleta. 

— Não tem ônibus. Fiquei esperando o BRT 67 e nada de ele aparecer. Aqui em Deodoro também não consegui nada. Vou gastar R$ 30 para ir de motocicleta — contou.

O Rio Ônibus informou que, por volta das 6h20, 1500 ônibus estavam rodando nas ruas. De acordo com o sindicato, "o cumprimento da determinação da Justiça do Trabalho de colocar um percentual mínimo em operação tem sido dificultado pelo Sindicato dos Rodoviários, que não encaminhou para os motoristas as escalas com a indicação de quais profissionais deveriam trabalhar para atender a frota mínima exigida".

"Os Consórcios fazem um apelo a todos os motoristas e rodoviários para que compareçam imediatamente às suas garagens e iniciem o trabalho. Lembramos a importância de atender a determinação da Justiça, que exige pelo menos 80% da frota nas ruas. A população carioca não pode ficar mais um dia a pé", afirmou a entidade em nota.

Sem acordo

Nesta terça-feira, terminou sem acordo a audiência de conciliação para tentar colocar fim à greve dos motoristas de ônibus. Do lado dos rodoviários, a reivindicação é de aumento de 17% para funções gerais e fixação dos pisos salariais em R$ 5 mil, para motoristas do BRT, e R$ 4 mil, para os condutores das demais linhas, além de reajuste no vale-alimentação. O Sindicato das Empresas de Ônibus (Rio Ônibus), no entanto, manteve a proposta de reajuste inicial de 4,39%.

Diante do impasse, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), onde aconteceu a reunião, e o Ministério Público do Trabalho propuseram ao Sindicato dos Rodoviários (Sintrucad-Rio) que levasse à categoria a alternativa de suspender a greve até a realização de nova audiência, inicialmente marcada apenas para a próxima segunda-feira. Em contrapartida, não haveria descontos pelos dias parados e a prefeitura se comprometeria a não multar as empresas por não oferecer o serviço.

Reunidos em assembleia diante do tribunal após a audiência, os rodoviários rejeitaram a medida e decidiram manter a paralisação. Após a nova manifestação da categoria, o TRT-RJ antecipou para esta quarta-feira, às 11h, a realização de nova rodada de negociações sobre a greve.

Crimes em 1996 e 2006:

Redução da frota

Disponibilizados pela prefeitura, dados do aplicativo GPS dos Ônibus dão uma ideia da redução do número de veículos circulando pela cidade. Às 8h de ontem, havia 1.460 veículos nas ruas, apenas 39,3% da frota disponível na terça-feira da semana passada, no mesmo horário (3.712). A maior quantidade de ônibus rodando ontem foi registrada às 14h, quando o app contabilizou 1.695, o equivalente a 48,1% dos 3.521 monitorados sete dias antes.

Do Leme à Prainha:

Confusão em assembleia

A assembleia dos rodoviários que rejeitou a suspensão provisória da greve foi marcada por confusão. Em meio a bate-boca e ânimos exaltados, ovos foram atirados contra carros do sindicato. Os grevistas ainda abordaram veículos que estavam circulando e passageiros chegaram a ser retirados dos coletivos. Segundo o Rio Ônibus, 15 foram vandalizados, e rodoviários que estavam trabalhando, hostilizados.

Pouco antes das 15h, cerca de cem rodoviários realizaram uma manifestação na região central da cidade. Carregando faixas, eles seguiram em caminhada pela pista lateral da Avenida Presidente Vargas até o Terminal Gentileza. No caminho, retiraram as chaves de alguns ônibus, que tiveram que ser rebocados. Houve tentativa dos manifestantes de entrar no terminal, impedida por guardas municipais.

Drones e operações integradas:

— Se não vier uma proposta decente, a greve continua. O pessoal está muito mobilizado. O Rio Ônibus não apresentou nenhuma melhora na proposta até agora — disse Sebastião José, presidente do Sindicato dos Rodoviários.

Reforço

Como consequência da manutenção da greve, a Trens RJ afirmou, na noite de ontem, que vai disponibilizar hoje “30 viagens além da grade convencional, com redução dos intervalos nos horários de maior demanda”. Já o MetrôRio avisa que vai reforçar a oferta de composições no sistema “em caso de aumento no número de passageiros”.

A Mobi-Rio informou que o sistema BRT havia registrado aumento de 26% da frota em operação na comparação com a véspera, primeiro dia da greve. Segundo a companhia, dos 541 articulados que costumam circular às 6h, 361 estavam nas ruas.