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Escolas do Rio recebem Bienal do Livro em edição inédita para promover leitura entre os jovens

Projeto faz procura por leitura crescer 25% nos colégios

Agência O Globo - 11/04/2026
Escolas do Rio recebem Bienal do Livro em edição inédita para promover leitura entre os jovens
Escolas do Rio recebem Bienal do Livro em edição inédita para promover leitura entre os jovens - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A Bienal do Livro Rio antecipou o calendário para uma edição inédita com o objetivo de incentivar a leitura entre os jovens cariocas. O evento oficial está marcado para 2027, mas as escolas do Rio já estão recebendo a visita do festival e, pela primeira vez, o projeto Bienal nas Escolas ganha uma temporada independente, para formadores leitores e levar o universo literário diretamente a alunos da rede pública. Pelo menos cinco escolas serão visitadas, beneficiando cerca de mil alunos de 6 a 10 anos.

Chef leva raízes

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A iniciativa, que nasceu em 2019 para extrapolar os pavilhões do Riocentro. Nesta edição, a primeira parada foi nesta sexta-feira, na Escola Municipal Maria das Dores Negrão, em Osvaldo Cruz, na Zona Norte. Inspirado pelo clima da Copa do Mundo, o tema das visitas é “Livros mudam o jogo”, e a primeira convidada foi a escritora Kiusam de Oliveira. Referência em literatura afrodidática, ela reforça a importância da representatividade, da educação e do incentivo ao imaginário desde a infância:

— Foi um encontro muito potente, especialmente porque reconheço as histórias e as vivências desses estudantes. Sou uma mulher preta, professora há mais de 40 anos, e trago essa trajetória para dentro da minha escrita. Para mim, tudo começa com a leitura do mundo, antes mesmo da leitura das palavras. É isso que me move como educadora e como escritora. Quando a criança vê, quando ela se confirma, ela entende que pode sonhar, que pode transformar a própria realidade. E é esse o meu compromisso: escrever para que essas crianças aprendam a sonhar e se reconheçam como potentes — diz.

Além do encontro com os autores, os mediadores desenvolvem dinâmicas com os alunos para estimular a escuta, a imaginação e a construção de repertório literário de forma leve e interativa. As visitas são uma parceria entre o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e a GL events Exhibitions. Cada escola vai receber 100 livros para as bibliotecas e salas de leitura.

Para a diretora da escola, Aline de Abreu Cardoso Lopes, chega uma iniciativa para potencializar um trabalho que já faz parte da rotina dos alunos:

— É de suma importância, porque nós sempre ganhamos projetos de literatura. Temos estoque literário, produções de livros, corredor de leitura, estantes em todas as salas. Então, trazer a Bienal para a escola é uma outra forma deles verem o livro, de um jeito lúdico, como foi hoje. Eles ficam ansiosos, pesquisam sobre a autora, pedem novos livros e buscam ainda mais leitura — conta ela.

A experiência também impacta diretamente os estudantes, como conta a aluna Lara Braga, de 10 anos:

— A escritora conta partes de seus livros e histórias ensinadas. Tem dois livros dela que eu gosto muito, “Com qual penteado eu vou” e “Tayó em quadrinhos”. Gosto porque eles falam de coisas importantes, como o respeito com o cabelo e com o cor da pele. Ler faz a gente sair um pouco das telas e ir para outros lugares. Acho que ajuda na imaginação e faz a gente aprender mais para o futuro — afirma a menina.

O tema “Livros mudam o jogo” propõe uma aproximação simbólica entre futebol e literatura, em que os autores são tratados como artilheiros e cada leitura representa uma jogada capaz de transformar trajetórias. A proposta reforça a ideia de que o livro pode ocupar um espaço de protagonismo no cotidiano dos estudantes, aproximando o universo literário de uma linguagem familiar e acessível.

Cada aluno participante recebe um álbum de figurinha desenvolvido especialmente para o projeto. Nele, personagens clássicos da literatura mundial compõem uma Seleção Literária que conta com Dom Quixote, Sherazade, Iara, Sherlock Holmes e Peter Pan, entre outros. As crianças poderão trocar figurinhas e completar o álbum, criando uma relação lúdica com as histórias e ampliando o contato com diferentes referências literárias.

— A brincadeira com o futebol ajuda a traduzir a ideia de pertencimento. Quando os personagens entram no campo, a leitura deixa de ser algo distante e passa a fazer parte do imaginário das crianças de forma natural e divertida — explica a curadora do projeto Bienal nas Escolas, da jornalista e pedagoga Carol Sanches.

Projeto faz aumentar a busca por livros nas escolas

Em 2025, a Bienal nas Escolas percorreu 11 colégios das redes municipais e estaduais, reunindo mais de 2 mil alunos e provocando um aumento de 25% na busca por livros nas bibliotecas das unidades participantes. Entre os autores que participaram da edição de 2025, nomes como Bia Bedran, Thalita Rebouças, Jessé Andarilho e Rodrigo França estiveram presentes em escolas da capital e da Baixada Fluminense, contribuindo para uma programação marcada pela diversidade de estilos e linguagens

— Quando a literatura entra na escola de forma viva e lúdica, ela cria vínculos duradouros. O aumento na procura por livros nas bibliotecas mostra que esse encontro desperta curiosidade e amplia o desejo de ler, o que é essencial para a formação de novos leitores — destaca Bruno Henrique, diretor de Marketing e Conteúdo da GL events Exhibitions.

Ao unir experiência, acesso e continuidade, o projeto reforça seu papel na formação de novos leitores, como destaca o presidente do SNEL, Dante Cid:

— A leitura tem o poder de transformar trajetórias, e iniciativas como a Bienal nas Escolas mostram que, quando ampliamos o acesso e criamos conexão, o livro realmente entra em campo e muda o jogo na vida dos estudantes — diz.