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Urca, Leblon, Gávea e mais: seis prédios de luxo na Zona Sul têm construções paralisadas. 'Faltaram recursos', diz sócio-diretor
Nos endereços, tapumes e redes furadas dão ares de abandono
Urca, Leblon, Botafogo e Gávea. Nos quatro bairros de alta especulação imobiliária da Zona Sul do Rio, seis elefantes brancos chamam atenção de quem passa. Edifícios de alto padrão da Inti Empreendimentos, com foco em apartamentos de luxo e responsáveis pelo retrofit do Edifício Mesbla, tiveram as obras paralisadas por falta de recursos. Mais de 70 apartamentos deixaram de ser entregues sem prazo por conta da verba insuficiente. Em sites de corretoras e em propagandas de cinco anos atrás, é possível encontrar unidades na planta anunciadas a R$ 4,6 milhões. O sócio-diretor da empresa responsável, André Kieffer, diz que o dinheiro está no fim e que não cobrirá o restante dos trabalhos.
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— A gente, de fato, enfrentou e enfrentou problemas financeiros e não tem como aportar mais as obras. Estávamos cortando, elas já eram deficitárias, já tinham superado o custo. Estávamos investindo (verba) da própria empresa, mas não tínhamos mais capacidade financeira. Faltaram recursos — admiti Kieffer.
Assembleias foram realizadas com compradores e investidores de apartamentos do Sambaíba 323 (na Rua Sambaíba, no Alto Leblon), do Haus (Rua Assis Bueno 34, em Botafogo); do Roca (Av. São Sebastião 46, na Urca) e do Dumont (Praça Santos Dumont 52, Gávea). Em algumas das reuniões, já se decidiu que ficaria a carga de quem roubou desembolsar o dinheiro para a conclusão da empreitada, caso do Roca. O mesmo aconteceu no Urbano (Rua Urbano Santos 71, na Urca), já entregue após os clientes assumirem os custos, segundo Kieffer. Há ainda um outro edifício cujas adquirentes dos apartamentos aguardam para a tratativa com o sócio-diretor da Inti. O encontro entre os compradores e o sócio-diretor da Inti Empreendimentos deve acontecer na próxima quinta (9). Desde o anúncio, segundo a empresa, houve três distratos.
Em Botafogo, na Rua Assis Bueno, as redes de proteção do prédio prometido como de alto padrão já têm rasgos e exposição de madeiras e metais, efeito da falta de manutenção. No Alto Leblon, onde estão localizadas mansões com metros quadrados dos mais caros da cidade, a construção não saiu do reboco.
Os contratos dos seis endereços foram assinados no modelo de incorporação por administração (preço de custo), diferentemente do que aconteceu no Ora, no antigo Edifício Mesbla. O condomínio próximo ao Passeio Público tem a XP como garantida dos custos. Segundo Roberto Bigler, vice-presidente de condomínios do Secovi Rio, este tipo de investimento pode elevar os riscos para quem compra.
— No modelo de contrato por administração, os próprios adquirentes assumem os riscos da obra. Se o incorporador não conseguir continuar, eles podem deliberar em assembleia e tocar a obra até o fim. Se algum adquirente não quiser seguir, ele pode sair, mediante um acerto financeiro, e os demais podem assumir ou comprar a cota dele e continuar normalmente. O risco é maior para o comprador porque ele participa diretamente do custo e da continuidade da obra — explica.
Adriana Socci Barbosa, fundadora da ASB Soluções Imobiliárias e do app Rio Metro Quadrado, o grande número de lançamentos de empreendimentos de luxo e de propagandas podem levar o consumidor a acreditar que há grandes saídas de apartamentos.
— Como há um excesso de lançamentos, há uma alta de apartamentos não vendidos. Faz-se um alarme sobre as metragens quadradas, sobre os valores, mas muitos encalham — diz Adriana.
Algumas obras já somam mais de cinco meses de atraso. Desde dezembro do ano passado, aumentaram os números de internações e angústia de alguns clientes. O cronograma de obras já teve diversas alterações, admitidas em entrevista por André Kieffer. Alguns dos problemas surgiram já na etapa de fundação.
— No Haus, em Botafogo, histórias que fazem um corte de rocha e uma contenção muito maiores do que as previstas. Por mais que tenham sido feitos estudos de sondagem, topografia e demais análises, sempre tem ainda uma dúvida, né? Cem por cento de certeza não temos.
Segundo Bigler, porta-voz da Secovi, fatos alheios ao que era previsto pelas incorporadas devem ser considerados, mas com cautela e de olho no que diz a Lei do Consumidor.
— Apesar de o contrato ser regido por lei própria, a 4591, a gente não pode esquecer que ele também influxo da Lei do Consumidor. E ele é um técnico hipossuficiente. Já o empreendedor e o incorporador não são hipossuficientes. Ele faz um estudo de estratégias para o empreendimento. Então, não é muito razoável transferir essa responsabilidade para o consumidor final. Claro que tudo vai depender da avaliação do contrato por advogados e até pericial.
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