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Polícia Civil do Rio compra drones para usar no combate ao crime organizado

Corporação cria nova unidade que vai monitorar imagens em tempo real e mapear áreas estratégicas

Agência O Globo - 31/03/2026
Polícia Civil do Rio compra drones para usar no combate ao crime organizado
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um novo aliado tecnológico chegou para fortalecer o combate ao crime organizado no Rio de Janeiro. A Polícia Civil passou a utilizar drones importados da China, de seis modelos diferentes, entre eles versões equipadas com sensores térmicos para localizar suspeitos em áreas de mata e câmeras para imagens noturnas. Esses equipamentos agora integram a recém-criada Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (Coant).

As imagens captadas pelos drones serão transmitidas em tempo real para o centro de monitoramento da Cidade da Polícia, no Jacaré, Zona Norte do Rio. Segundo o secretário da Polícia Civil, delegado Delmir Gouvea, a nova tecnologia permitirá o acompanhamento operacional imediato das ações policiais. "Estamos adquirindo novas tecnologias, com softwares e tudo mais. Vou-me depois de não falar detalhes para não alertar quem não deve ser alertado", afirmou Gouvea, sem revelar o número exato de equipamentos por questões estratégicas.

Cada modelo de drone foi adquirido para atender a demandas específicas e será operado por agentes treinados. Alguns contam com câmeras de zoom para imagens a longa distância e autonomia de voo superior a uma hora. “Nosso equipamento faz monitoramento e mapeamento de área em tempo real, com alta resolução e precisão”, explicou o delegado Rodrigo Brand, coordenador da Coant.

Entre os modelos adquiridos, há drones com câmeras de reconhecimento facial e leitura de placas, integrados ao sistema da corporação para identificar pessoas procuradas ou veículos roubados. Outro modelo é voltado para voos furtivos, operando de maneira discreta para não ser facilmente detectado.

A nova coordenadoria, subordinada ao subsecretário de Integração Operacional, delegado Carlos Oliveira, apoiará as operações policiais e ações de inteligência, como o mapeamento de áreas específicas. Qualquer unidade policial do estado poderá solicitar o uso dos equipamentos.

O investimento em drones faz parte de um pacote de investimento em inovação tecnológica na corporação. Nos últimos dois anos, os gastos com drones e softwares para remoção de dados telemáticos somaram cerca de R$ 2,1 milhões.

Um dos softwares já em uso é o Ipol, aplicativo exclusivo da Polícia Civil acessível para celulares corporativos. Com ele, os agentes podem identificar em tempo real se uma pessoa é foragida pela Justiça ou se um veículo é roubado, por meio da câmera do celular. “Antes, era preciso levar suspeitos à delegacia para verificar antecedentes. Hoje, isso pode ser feito virtualmente e em tempo real”, destacou Gouvea.

O uso de drones, no entanto, não é exclusividade da polícia. Os criminosos também possuem esses equipamentos adaptados para ações ilícitas. Recentemente, durante uma operação na Vila Sapê, em Curicica, Zona Sudoeste, um imóvel foi atingido por um drone manipulado por bandidos, causando danos materiais, mas sem deixar feridos. A região enfrenta disputas entre facções criminosas e tentativas de retomada de território por grupos rivais. Nesta segunda-feira, o Batalhão de Operações Especiais da PM realizou ações na Gardênia Azul, na próxima comunidade, para prender suspeitos envolvidos no ataque.