RJ em Foco
De piloto de jato a Mago da Sandálias, quem faz as rainhas brilharem? Viviane Araujo, Virginia Fonseca e mais representantes abrem segredos
Veteranas e novatas revelam quem são os súditos que compõem seu staff. Número geral supera 150 pessoas
Debaixo de um toró, desce do carro sem descer do salto. Para não se molhar, recebe a ajuda de Wander Fernandes, xará do . Uma não nasce da noite para o dia, nem deixa de enfrentar mau tempo. Sem o topete inconfundível do puxador da escola, o amigo e assistente da diva a acompanhou por mais de 20 carnavais, com reinado (sua primeira temporada na escola foi de 2004 a 2007) ou sem. Os dois cresceram juntos no Barreto, em Niterói, bem colado a São Gonçalo, bairro que abriga a quadra da vermelho e branco, representante das duas cidades na Sapucaí.
Júri elege 'Rainha das Rainhas'':
Beleza e samba no pé:
A seis quilômetros dali, no Flamengo, Viviane Araujo, a estrela à frente da bateria do Salgueiro, se arrumava num estúdio com cerca de dez pessoas, entre elas o marido, Guilherme Militão, o filho, Joaquim, e a assessora, Debora Martinez. Do lado de fora, na van, mais amigos esperavam para vê-la homenagear Rosa Magalhães no último ensaio antes do “dia D”. Entre as rainhas de bateria das 12 escolas, o número de integrantes de suas equipes, sem contar os que as agremiações cedem, supera 150. Há pilotos de jatinhos, requisitados por poderosas de agenda cheia como Sabrina Sato e , maquiadores, estilistas e muitos outros personagens em funções diversas.
Antiguidade é posto
As semelhanças entre Viviane Araujo, de 50 anos, e Juliana Paes, 46, vão além da experiência e das cores de suas escolas. As duas prezam por ter ao lado dezenas de pessoas de confiança e parcerias de longa data. Para Ju, seu braço direito é o amigo da juventude; com a atriz da novela “Três Graças” tem como seu porto seguro a dinda de Joaquim, de 3 anos.
Carnaval RJ 2026:
Antes da nobreza, a rainha de bateria da vermelho e branco de Niterói e o “amigo-até-debaixo-d’água” partilharam mil perrengues; atravessar os arredores da maior avenida do Rio para chegar à mais conhecida passarela do carnaval do planeta foi moleza. Ainda que do carro tenham saído mais cinco pessoas carregadas com roupas e equipamentos.
— Está todo mundo aqui para me ajudar – disse, sem perder o bom humor, a rainha com cerca de 20 súditos para fazê-la brilhar no carnaval, entre assessores, empresária, estilista, fisioterapeuta para cuidar da lombar e mais sete pessoas trabalhando só na fantasia da grife Dolce & Gabbana que usará.
Viviane, hoje à frente de uma corte variada e interestadual, lembra como foi simbólica a sua primeira vez na Sapucaí, em 1995, antes de ir para o Salgueiro:
— Foi na Beija-Flor. Milton Cunha era o carnavalesco. Ele perguntou: “Você tem um biquíni branco? Põe o biquíni e usa esse arquinho!”. Naquele dia, foi um amigo do meu pai, que era policial, que me levou para a quadra — diz a rainha, lembrando os improvisos.
Nada que remeta à enorme estrutura que tem, por exemplo, Sabrina Sato, passageira frequente de jatinhos para se equilibrar entre os carnavais de Rio e São Paulo. Bem antes de pisar na Avenida, ela abriu alas como rainha de bateria e garota propaganda: de ensaio fotográfico temático, fantasias antecipando referências da Vila Isabel, vídeos para a internet, programa de TV (“Carnaval da Sabrina”, no GNT) e série para as redes sociais.
Quinze anos depois, a disposição só aumentou. Às vésperas da publicação desta reportagem, dia de fotos, a apresentadora chegou às 4h50 em casa. E acordou às 6h20 para arrumar Zoe, sua filha, de 6 anos.
— Era carnaval na escola dela! Voltei e dormi um pouquinho — soltou, antes da entrevista.
Sua primeira vez no carnaval da Vila, que neste ano homenageia Heitor dos Prazeres, foi em 2011, ano em que as redes sociais eram mato e no streaming não havia programas lançados de maneira tão veloz quanto uma escola atrasada para encerrar o desfile.
— Era tudo muito mais intuitivo. Não existia o que eu tenho hoje. Era maquiador, cabeleireiro, stylist, alguém ajudando na fantasia e a equipe da escola — diz a rainha da azul e branco, que hoje, por baixo, tem uma equipe que supera 40 pessoas trabalhando só em seu carnaval do Rio; algumas fazem o carioca e o paulista.
Sem sentir o peso do costeiro e de outras “responsas” da Avenida, ela ainda agregou uma colega de posto ao seu escopo de trabalho. Em 2026, Mayara Lima, rainha da , passou a ser agenciada por Sato. Com uma equipe mais enxuta, a carioca tem dez súditos, um deles o "Mago das Sandálias", Seu Pedro, que faz o calçado impecável: com conforto e sem risco de queda para a passista.
Uma rainha raiz, de comunidade e experiente, tem súditos que a sustentam além das plumas e paetês ou da imagem. É o caso da da Mangueira, que acumula com o posto de rainha de bateria o de presidente da Mangueira do Amanhã, e de Bianca Monteiro, da Portela, fundadora da Oficina Paulo da Portela, iniciativa voltada à valorização do samba em Madureira, e diretora cultural do Filhos da Águia, escola de samba mirim.
— Estou com 38 anos, poder fundar a oficina é devolver às pessoas tudo o que fizeram por mim. São dez anos à frente da bateria; a gente acaba querendo se ver em outro lugar — diz a representante da azul e branco de Oswaldo Cruz, que uma equipe de nove pessoas para cuidar de sua imagem e de seu corpo no carnaval.
Fabiola Andrade, rainha de bateria da Mocidade, tinha três pessoas em sua equipe há três carnavais; hoje, o número quadruplicou. Para a gaúcha que samba à frente dos ritmistas na verde e branco que homenageará Rita Lee são imprescindíveis também os seguranças que fazem sua escolta. Seu marido, o contraventor Rogério Andrade, segue preso no Mato Grosso do Sul. No Rio, a rainha se dedica intensamente ao samba e é acolhida pela comunidade de Padre Miguel.
— O que mais me marca é o carinho. As pessoas vibram, torcem, se emocionam. Esse amor é o que me move e me dá ainda mais força. Para eu brilhar, não pode faltar minha energia e minha verdade. Eu preciso estar feliz, conectada com a bateria e sentindo aquele momento — explica.
Entre os de confiança das rainhas, não tem bobo da corte. É preciso tato para lidar com contratempos e imprevistos — os súditos de Bianca Monteiro levam sandálias reservas, linha e costura para a Sapucaí — e cuidado com a saúde. No camarim antes de atravessar a Sapucaí, soltou:
— Faço muito “cárdio” para estar em forma na Sapucaí, e acho ótimo, porque é uma preparação para tudo, né?
Ela mostra a cicatriz de uma cirurgia que fez no joelho esquerdo, em 2018, e costuma recorrer à fisioterapia e à massagem.
— Faço uma preparação especial para não sobrecarregar o joelho, que de vez em quando precisa de uma drenagem.
Virgínia Fonseca, estreante na Grande Rio, vem forte com seu bordão, “Bora pra cima”, com ânimo para encarar até o que rainhas e musas de toda folia passam: quedas ou corpo mais à mostra do que o planejado e a força de uma equipe de mais de 20 pessoas em seu apoio. A fantasia terá 70% da roupa com transparência.
— Se tiver imprevistos vamos com imprevistos mesmo. Só enfrentando nossos medos é que alcançamos feitos inesquecíveis.
Outra novata na Sapucaí é Mileide Mihaile, influenciadora digital maranhense de 36 anos, que estará na Unidos da Tijuca. Desde o pré-carnaval, vem sendo acompanhada por dez pessoas:
— E tenho ainda na assessoria de imprensa três profissionais: um em Fortaleza, um em São Paulo, onde moro atualmente, e contratei uma especializada para o carnaval do Rio.
Colaborou: Naiara Andrade, do Jornal Extra
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