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Leilão do Pavilhão de São Cristóvão ameaça futuro da Feira de Tradições Nordestinas
Espaço tombado e patrimônio imaterial do Rio será leiloado por dívidas da Riotur; vereador assegura que feira permanecerá no local
O Pavilhão da Feira de São Cristóvão, que abriga a tradicional Feira de Tradições Nordestinas na Zona Norte do Rio, está prestes a ser leiloado em 25 de fevereiro devido a dívidas fiscais e trabalhistas acumuladas pela Riotur, responsável pela gestão do espaço. A decisão foi determinada pelo Tribunal Regional do Trabalho, em processo de execução fiscal movido pela União contra a entidade municipal. O lance mínimo estabelecido é de cerca de R$ 25 milhões, conforme divulgado pelo RJ TV2 nesta quinta-feira.
Incertezas sobre o futuro
Lojistas e frequentadores do local, reconhecido como patrimônio cultural e imaterial da cidade, ainda não sabem o que esperar do futuro da feira. O edital do leilão, elaborado pela Riotur, não traz informações claras sobre a permanência ou eventual remoção do Centro de Tradições Nordestinas.
O vereador Vitor Hugo (MDB), presidente municipal do partido e autor da lei que garantiu o tombamento da feira, afirma que o novo proprietário não poderá remover o espaço do terreno.
— A feira é tombada, é um patrimônio da cidade do Rio de Janeiro. Não pode sair dali — reforçou Vitor Hugo.
Segundo o parlamentar, a possibilidade de encontrar um comprador interessado é reduzida devido à ocupação do imóvel. Ele ressalta que o tombamento foi fundamental para evitar que “esta tradição tão importante deixe de existir”. Vitor Hugo também aponta que o interesse econômico se limita principalmente ao estacionamento do local.
O vereador destaca ainda que mantém diálogo com os gestores da feira e pretende intermediar um encontro com o prefeito Eduardo Paes (PSD), pré-candidato ao governo estadual em 2026.
História e relevância da feira
Com mais de 80 anos de existência, a Feira de Tradições Nordestinas nasceu para celebrar a chegada de migrantes nordestinos ao Rio e preservar costumes, como música, literatura de cordel e culinária típica.
Na década de 1960, a construção do Pavilhão de São Cristóvão deu nova estrutura ao evento, consolidando-o como um importante espaço de comércio e lazer. Em 2003, a feira foi oficializada como Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reunindo barracas, restaurantes e apresentações culturais.
Em 2021, o pavilhão foi tombado pela Câmara Municipal e reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Atualmente, a feira ocupa cerca de 37 mil metros quadrados, abrigando centenas de comércios de gastronomia, artesanato e cultura. É considerada um dos maiores centros de cultura nordestina fora do Nordeste, consolidando-se como patrimônio histórico, social e turístico do Rio de Janeiro.
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