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Favela do Alemão avança sobre a Serra da Misericórdia, área marcada por confrontos policiais
Entre 1999 e 2022, enquanto a área total do Complexo do Alemão recuou 4,81%, a comunidade junto à mata cresceu quase 20%
Conhecida como rota de fuga e esconderijo de traficantes desde a primeira ocupação do Complexo do Alemão pelas forças de segurança, em novembro de 2010, e palco de intensos confrontos policiais que resultaram na morte de 117 suspeitos em outubro do ano passado, a Serra da Misericórdia é uma área de preservação ambiental com remanescentes de Mata Atlântica. No entanto, a região enfrenta crescente pressão devido à expansão desordenada ao seu redor. Entre 1999 e 2022, enquanto a área ocupada por todo o conjunto de favelas do Alemão diminuiu 4,81% — de 1.856 para 1.766 metros quadrados —, a comunidade às margens da mata, no alto do complexo, aumentou 19,88% em direção à cobertura vegetal.
Serra da Misericórdia:
A busca por corpos na mata da Vacaria:
Segundo dados da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal, baseados em informações do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos (IPP), em 23 anos, a área ocupada pela Vila Marinha — nome oficial da comunidade conhecida como Vacaria — passou de 62.475 para 74.271 metros quadrados.
“O crescimento desordenado dessa parte do Alemão e de outras comunidades do Rio não afeta apenas a questão ambiental e dificulta a implantação do saneamento básico, mas impacta toda a cidade. Na desordem, surgem guetos onde criminosos se refugiam e onde o poder público dificilmente chega. As forças policiais só conseguem acessar essas áreas fortemente armadas, resultando em grandes baixas, sem resolver os problemas ambientais ou de segurança”, avalia o advogado e ambientalista Rogério Zouein, do Grupo Ação Ecológica (GAE).
Análise de imagens recentes
A comissão de vereadores não localizou dados atualizados para o período de 2023 a 2025, mas, com base em imagens do Google Earth, identificou indícios de que a área devastada próxima à Vila Marinha continuou a se expandir nos últimos três anos.
“Essa área seguiu crescendo. É preciso compreender os motivos. Em determinado momento, houve recursos para implantar um parque ali, o que poderia conter a expansão da favela e a atuação do tráfico. Medellín, na Colômbia, frequentemente citada como exemplo para o Rio, adotou a criação de parques como estratégia para limitar o poder do tráfico”, destacou o vereador Pedro Duarte (Novo), da Comissão de Assuntos Urbanos.
Durante megaoperação em área de mata, policiais enfrentaram momentos de terror ao anoitecer:
Em 2012, a prefeitura firmou acordo com a Caixa Econômica Federal para instalar equipamentos de lazer e programas de educação ambiental em um trecho da Serra da Misericórdia, batizado de Parque da Leopoldina. O projeto previa repasse de R$ 4,1 milhões do Fundo Sócio Ambiental da Caixa e contrapartida municipal de R$ 10 milhões. No entanto, a iniciativa não saiu do papel e os recursos foram devolvidos ao banco. Procurada, a prefeitura não esclareceu por que o projeto não foi adiante.
A Serra da Misericórdia atravessa 26 bairros do Rio e abriga comunidades como Penha, Serrinha e Juramento em suas margens. Tornou-se amplamente conhecida em 2010, quando, durante uma grande operação policial na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, dezenas de criminosos fugiram pela região até alcançarem o Complexo do Alemão.
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