Política

Bolsa-Família pode dar vitória a Lula

Secretária Kátia Born diz que derrota do candidato do PT põe em risco a continuidade do benefício que atende mais de 509 mil famílias de baixa renda de Alagoas

22/10/2026
Bolsa-Família pode dar vitória a Lula
Kátia Born - Foto: Reprodução / Instagram

O Bolsa Família, principal programa de distribuição de renda do governo federal, pode ajudar na reeleição do presidente Lula (PT). Ao todo, cerca de 20 milhões de famílias recebem o benefício, no Brasil. Por isso, o programa tem tanto peso na disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

Por mês, o governo federal gasta mais R$ 15 bilhões para manter o programa, pagando um benefício médio de R$ 782,92 – em valores oficiais, divulgados agora em outubro, pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Segundo a secretária estadual da Assistência e Desenvolvimento Social, Kátia Born, o benefício é tão importante para quem recebe que mais de 80% das famílias beneficiadas estariam dispostas a votar em Lula.

Para a ex-prefeita de Maceió, o impacto do programa na vida das pessoas de baixa renda é tão grande que a maioria declara voto no candidato do PT, conforme atestam os principais institutos de pesquisa do país.

“Ao longo desses 23 anos, o Bolsa Família tem sido fundamental no combate à pobreza, garantindo renda e segurança alimentar às famílias em situação de vulnerabilidade social”, afirmou a secretária de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, Kátia Born.

Segundo ela. em Alagoas, “o reajuste de 15,04% representa um reforço importante para milhares de famílias, contribuindo para a melhoria das condições de vida. Mas a proteção social também passa pela criação de oportunidades para que essas pessoas conquistem autonomia”.

“Por isso, é importante investir em qualificação profissional, capacitação e acesso ao mercado de trabalho, ampliando as possibilidades de inclusão produtiva e de construção de um futuro com mais dignidade”, acrescentou.

Questionada se vê risco de continuidade do programa, em caso de derrota de Lula, Kátia Born disse que sim. “Acredito que uma mudança de governo pode colocar em risco a continuidade e a prioridade desse programa”, destacou.

A ex-prefeita de Maceió disse ainda que “não podemos tratar como garantido um direito que é fundamental para tantas famílias. O futuro de quem mais precisa também está em jogo nessa eleição”.

Alcance social


De acordo com cientistas sociais, o alcance social do Bolsa Família é tão grande que se revelou em um dos principais fatores de avaliação positiva do governo federal, principalmente nas regiões Norte e Nordeste.

“O Bolsa Família é como iPhone, só reclama quem não tem”, comentou uma beneficiária do programa, ao comentar uma postagem sobre a influência do benefício na disputa, eleitoral deste ano.

Por isso, para a secretária Kátia Born, o benefício pesa a favor da reeleição de Lula. Até porque, segundo ela, nada garante que o candidato do PL vá manter o Bolsa Família, muito embora, durante a campanha, Flávio Bolsonaro tenha afirmado que o benefício não será cortado.

A secretária disse que o Bolsa Família foi pagou ontem (21/10), com reajuste de 15% e de forma unificada. Cerca de 509 mil famílias estão cadastradas no programa, em Alagoas.

De acordo com Kátia Born, quando o pagamento é unificado, como foi agora em outubro por causa do El Niño, o efeito na economia local é imediato - comércio, feira, mercado e o setor de serviços abocam uma fatia considerável do benefício.

Isso gera percepção positiva do governo federal, fazendo com que o programa atinja muito mais famílias de forma indireta.

Histórico eleitoral


Desde 2006, pesquisas de intenção de voto mostram correlação forte entre municípios com alta cobertura do Bolsa Família e votação no PT. O Datafolha e Ipec sempre medem que a aprovação do governo Lula é maior entre quem recebe o benefício.

Nas eleições deste ano, não foi diferente, o assunto ganhou destaque na campanha dos dois candidatos que disputam o segundo turno. Tanto Lula como Flávio defendem a manutenção do programa, mas é o candidato do PT quem tem mais legitimidade política para tirar proveito dessa política pública.

Afinal, foi o presidente Lula, no seu primeiro mandato, quem criou o Bolso Família, em 2003. Por isso, o petista sinta tanto orgulho desse programa que ajudou a tirar milhares de pessoas da pobreza extrema. Foi como esse benefício, então, que o presidente tirou o Brasil do ‘Mapa da Fome’.

Benefício tira família da extrema pobreza


Com o reajuste de 15,04% concedido em 2026, pelo presidente Lula, o valor médio do Bolsa Família foi para R$ 782,92 (era R$ 680,00, em 2023). Com o adicional de R$ 150,00 por criança e mais o vale gás, muitas famílias estão saindo da pobreza e vivendo com mais dignidade.

É o caso de Aline Jéssica dos Santos, 34 anos, moradora do Conjunto Morada do Planalto, no Benedito Bentes. Ela é mãe solo de três filhos menores – Miguel, de 14 anos; Layla, de 10; e Laura, de 8. Se não fosse o apartamento que ganhou do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ e o Bolsa Família que recebe, ela não teria como sustentar, sozinha, sua família.

“Dou Graça a Deus, todos os dias, por ter saído do aluguel e ter minha casa própria, onde eu moro e sustento meus filhos, com a ajuda do Bolsa Família. Por isso, sou muito grata ao presidente Lula. Mas, além disso, voto nele pela defesa que ela faz da democracia e do Brasil”, relatou a dona-de-casa.

A reportagem da Tribuna Independente ouviu mais duas mães de família, que recebem o Bolsa Família e têm receio de perder o benefício, caso o presidente Lula seja derrotado nas urnas.

Nilda Marques da Silva, de 36 anos, mora de aluguel na Rua Ary Pitombo, no Trapiche da Barras. Ela disse que recebe o Bolsa Família das duas filhas menores (Emily, de 9 anos; e Sara, de 2) e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) do filho do meio, Matheus, de 5 anos, que é autista. “Se não fosse o benefício, dificilmente daria para comprar o lanche das crianças”, garantiu.

Já Luciene Paulino dos Santos, 57 anos, disse que o dinheiro do Bolsa Família não é tudo, mas ajuda nas despesas com o filho adolescente, Ismael Paulino, que ela cria sozinha. “Seria muito importante que esse benefício continuasse, até que as pessoas fossem prosperando e deixando de precisar dele”, relatou Luciene, que é moradora do Benedito Bentes, na parte alta de Maceió

Com reajuste de 15%, Bolsa Família tem pagamento unificado em Alagoas

Os beneficiários do Bolsa Família com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0 recebem nesta quarta-feira (21) o pagamento de outubro de forma unificada nos 102 municípios de Alagoas.

A medida excepcional antecipa o pagamento para esse grupo e busca intensificar a proteção das famílias em situação de vulnerabilidade diante dos possíveis impactos do fenômeno El Niño.

Em Alagoas, 509.175 famílias, que correspondem a cerca de 1.281.299 pessoas, receberão o benefício com os valores reajustados. A atualização de 15,04% começou a valer na folha de outubro. Com a recomposição, o benefício mínimo garantido por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio estimado sobe de R$ 675 para R$ 777.

Por mês, o governo federal gasta em Alagoas cerca de R$ 395,6 milhões, com o pagamento do Bolsa Família. Por ano, em valores atualizados, esse gasto fica em torno de R$ 4,74 bilhões.

Para a secretária de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, Kátia Born, a atualização dos valores e a reorganização do calendário representam um reforço na proteção das famílias alagoanas.

“Esse reajuste é importante para preservar o poder de compra das famílias e contribuir para o acesso à alimentação e a outras necessidades básicas. Em um cenário de possíveis impactos do El Niño, medidas como essa asseguram a proteção social e ajudam a garantir mais segurança às famílias que mais precisam”, destacou a secretária Kátia Born.

Os beneficiários com NIS final 1 e 2 já receberam nos dias 19 e 20 de outubro, respectivamente. A medida segue o calendário extraordinário estabelecido pela Portaria MDS nº 1.221, de 16 de outubro de 2026, que prevê a concentração dos pagamentos nos três primeiros dias do calendário nos meses de outubro, novembro e dezembro deste ano.

A antecipação dos pagamentos busca ampliar a capacidade das famílias de se prepararem para possíveis efeitos da seca, da escassez hídrica, das inundações e de interrupções no abastecimento. A iniciativa também pretende reduzir os riscos de agravamento da insegurança alimentar e de comprometimento dos meios de subsistência da população mais vulnerável.

Calendário


A Portaria MDS nº 1.221, de 16 de outubro de 2026, estabelece um calendário extraordinário para os pagamentos do Bolsa Família nos meses de outubro, novembro e dezembro. A medida concentra os depósitos nos três primeiros dias do calendário de cada mês. Em outubro, os beneficiários com NIS final 1 receberam no dia 19, e aqueles com NIS final 2, no dia 20. Já os beneficiários com NIS final 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0 recebem nesta quarta-feira (21).

Em novembro, os pagamentos serão realizados nos dias 16, para NIS final 1; 17, para NIS final 2; e 18, para os beneficiários com NIS final 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0. Em dezembro, o calendário prevê pagamentos no dia 10 para NIS final 1, no dia 11 para NIS final 2 e no dia 14 para os beneficiários com NIS final 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0.

Em Alagoas, a medida contempla os beneficiários dos 102 municípios e será mantida até dezembro de 2026, conforme as datas estabelecidas para cada final do NIS.

Reajuste dos benefícios


A atualização dos valores considera a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. Esta é a primeira correção pela inflação desde a retomada do atual modelo do Bolsa Família, em 2023.

Com o reajuste, o Benefício de Renda de Cidadania passa de R$ 142 para R$ 164 por integrante da família. O Benefício Primeira Infância, destinado a famílias com crianças de zero a menos de sete anos, sobe de R$ 150 para R$ 173 por criança. Já o Benefício Variável Familiar, pago a gestantes, nutrizes e crianças e adolescentes de sete a menos de 18 anos, passa de R$ 50 para R$ 58 por integrante elegível.

O valor final recebido por cada família depende de sua composição e dos benefícios aos quais tem direito. Por isso, os R$ 691 correspondem ao piso garantido, e não a um valor único pago a todos os beneficiários.

*Com Ascom Seades