Política
TRE-AL multa Renan Filho por publicação sobre JHC, mas caso ainda pode chegar ao Pleno
Justiça considerou irregular afirmar categoricamente que o então prefeito era investigado no caso Iprev/Banco Master; Ministério Público Eleitoral havia defendido a improcedência da ação
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas condenou Renan Filho ao pagamento de multa de R$ 10 mil por uma publicação na qual afirmou que JHC era investigado no caso dos investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió no Banco Master.
A decisão foi assinada pelo desembargador eleitoral Léo Dennisson Bezerra de Almeida e divulgada na segunda-feira (19).
O magistrado entendeu que a postagem apresentou como fato incontroverso a condição formal de JHC como investigado, sem esclarecer as controvérsias jurídicas e processuais existentes em torno dessa classificação.
Além da multa, a decisão confirmou a retirada da publicação e proibiu a divulgação de conteúdo idêntico. Em caso de descumprimento, foi estabelecida multa diária de R$ 5 mil, limitada ao total de R$ 50 mil.
Juiz divergiu do Ministério Público Eleitoral
A condenação foi proferida apesar de parecer da Procuradoria Regional Eleitoral favorável à improcedência da representação.
A divergência é relevante porque demonstra que a própria interpretação jurídica sobre os documentos do caso não é pacífica. Enquanto o Ministério Público não identificou irregularidade eleitoral suficiente para justificar a punição, o magistrado considerou que a postagem ultrapassou os limites da crítica política ao atribuir diretamente a JHC uma condição processual que julgou não estar devidamente demonstrada.
A decisão não afirma que o caso Iprev/Banco Master deixou de existir nem afasta o interesse público sobre os investimentos feitos com recursos previdenciários dos servidores de Maceió.
O que foi considerado irregular foi a forma categórica empregada na propaganda eleitoral para definir a situação pessoal de JHC dentro da investigação.
Recursos previdenciários continuam no centro do debate
O caso envolve aplicações milionárias realizadas pelo Iprev de Maceió no Banco Master durante a gestão de JHC na Prefeitura. Os investimentos e a responsabilidade dos dirigentes municipais continuam sujeitos à apuração pelas autoridades competentes.
A decisão eleitoral também não impede questionamentos sobre a responsabilidade política e administrativa do então prefeito, seu poder de nomear e exonerar dirigentes do instituto ou as providências adotadas pela gestão municipal diante dos riscos das aplicações.
Renan Filho ainda poderá recorrer ao Plenário do TRE-AL. A condenação, portanto, não deve ser apresentada como decisão definitiva.
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