Política

Advogado de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 5 bilhões em apostas em 2025

Investigação apura lavagem de dinheiro e envolve casa de apostas

Estadao Conteudo 21/10/2026
Advogado de Flávio Bolsonaro movimentou R$ 5 bilhões em apostas em 2025
Willer Tomaz - Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O advogado Willer Tomaz, investigado por fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi a pessoa que fez o maior aporte em apostas no País em 2025, movimentando R$ 5 bilhões com casas de apostas no período. Ele é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro com jogos online. A cifra bilionária se refere a prêmios que foram apostados novamente. O valor depositado por Tomaz, de R$ 258 milhões, é quase o dobro do aporte feito pelo segundo maior apostador. No mesmo ano, Tomaz sacou R$ 200 milhões.

Os dados constam em uma nota técnica do Ministério da Fazenda, revelada pelo UOL, e também acessada pelo Estadão.

Uma das investigações abertas contra Willer se vincula ao senador Flávio Bolsonaro (RJ), atualmente candidato do PL à Presidência. O inquérito, que tem a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura suspeitas de lavagem de dinheiro na relação entre o parlamentar e o advogado.

A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), da Fazenda, iniciou um processo administrativo contra a casa de apostas Blaze por avaliar que a empresa não implementou as medidas necessárias para coibir a possível lavagem de dinheiro por parte de Willer Tomaz.

Procurado, o advogado afirmou que "os recursos têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e constam de sua declaração à Receita Federal". Ele também ressaltou que nunca utilizou ferramentas automatizadas nem fracionou operações para driblar qualquer controle.

A Foggo Entertainment, empresa detentora da marca Blaze no Brasil, comunicou em nota que atua em estrita conformidade com a legislação e as normas vigentes, adotando políticas rigorosas e contínuas de prevenção à lavagem de dinheiro (PLD), monitoramento de transações e comunicação de operações atípicas aos órgãos competentes.

Depósitos e saques

Willer possui um extenso círculo de relações políticas em Brasília, incluindo amigos próximos como Flávio e o senador Weverton Rocha, vice-líder do governo Lula no Senado. Em 2025, ele realizou 1.936 aportes, com valor médio de R$ 133 mil cada, além de 3.408 saques com média de R$ 58 mil. A nota técnica do Ministério da Fazenda apontou "múltiplos depósitos ou saques" ocorridos "em curtíssimo espaço de tempo".

Em 30 de outubro, por exemplo, ele fez 14 depósitos de R$ 500 mil em horários muito próximos, totalizando R$ 7 milhões em um único dia. No dia seguinte, Tomaz fez 12 saques de R$ 500 mil em um intervalo de 18 minutos, totalizando R$ 6 milhões retirados. O documento levanta suspeitas de uso de sistema automatizado e "dissimulação".

Em manifestação enviada à Secretaria de Prêmios e Apostas, a Blaze informou que as apostas de Willer não foram analisadas em nenhum momento. Além disso, a casa de apostas nunca alterou a classificação de "risco médio" atribuída ao advogado, desde seu cadastro. A regulamentação das casas de apostas exige a elevação da classificação de risco em casos de "padrões atípicos de jogos online" e de transações com "volumes elevados".

"O cliente em questão também poderia se enquadrar na categoria de risco máximo utilizada pela empresa ('crítico'), devido ao elemento da 'potencial violação sistêmica da legislação aplicável', uma vez que uma rápida pesquisa em fontes abertas revela que o cliente já esteve detido sob suspeita de corrupção", ressaltou o documento, datado de 1º de outubro.

Investigações

Willer é alvo de uma investigação da Polícia Federal por indícios de lavagem de dinheiro com apostas online. O inquérito levanta a suspeita de que as apostas eram simulações. O advogado se declara viciado em jogos e entrou na Justiça para tentar recuperar o dinheiro perdido.

Ele também é investigado na Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS. A operação suspeita que ele atuou como "hub financeiro" para outros envolvidos no esquema. Em outra frente, o advogado é suspeito de receber informações sigilosas vazadas indevidamente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Ministério Público Federal (MPF).

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.