Política

Arthur Lira declara apoio a Flávio Bolsonaro enquanto mantém aliados em órgãos do governo Lula

Deputado esperou o fim do primeiro turno para declarar apoio ao candidato do PL; Caixa, Codevasf, Dnocs, Porto de Maceió e CBTU aparecem na rede de influência política atribuída ao grupo

Redação 14/10/2026
Arthur Lira declara apoio a Flávio Bolsonaro enquanto mantém aliados em órgãos do governo Lula
Senador eleito Arthur Lira posa com prefeitos e declara apoio a Flávio Bolsonaro

Arthur Lira publicou nas redes sociais seu apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. A declaração vem depois de encerrada a votação do primeiro turno e expõe uma contradição política que o PT não deveria tratar como detalhe: enquanto aliados de Lira ocupam espaços estratégicos na estrutura federal, o senador eleito por Alagoas se mobiliza agora pela candidatura que enfrenta Lula.

A Folha de S.Paulo informou, em setembro, que Lira mantém aliados em postos de comando na Caixa Econômica Federal, na Codevasf, no Dnocs e no Porto de Maceió. O jornal também registrou que um indicado do parlamentar havia sido demitido do Incra em agosto. A reportagem observou que Lira evitava uma aproximação pública com Flávio para não criar atrito com Lula e correr o risco de perder cargos e influência.

A CBTU de Alagoas também integra esse histórico. Em 2025, veículos locais noticiaram que o superintendente Max Ferreira chegou ao cargo por indicação do grupo político de Lira.

Não se trata de afirmar que esses órgãos pertencem a Arthur Lira. São instituições públicas, mantidas com recursos da população. Mas as indicações e a influência política relatadas pela imprensa levantam uma pergunta legítima: até quando o governo Lula aceitará que aliados de um parlamentar ocupem postos federais enquanto ele faz campanha contra o presidente?

Lira agora assume publicamente o lado de Flávio Bolsonaro. O PT precisa decidir se continuará acomodando essa relação como se nada tivesse acontecido. Quem apoia o adversário de Lula e, ao mesmo tempo, conserva influência sobre cargos e estruturas do governo não pode ser tratado como aliado de conveniência sem que a contradição seja cobrada.

E agora, PT?