Política
Pressionado pelo eleitorado, Flávio Bolsonaro recua e anuncia voto a favor do fim da escala 6x1
Em reta final de segundo turno, candidato do PL muda de postura diante de proposta apoiada pelo governo e cobra compensações financeiras para empresários
Em uma guinada tática na reta final da disputa do segundo turno presidencial, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou, nesta terça-feira (13), que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6x1. A medida, defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), visa reduzir a jornada semanal de trabalho sem diminuição salarial.
O anúncio marca uma mudança drástica de postura do parlamentar. Até então, Flávio vinha classificando o debate como "oportunismo eleitoral" e evitava sinalizar seu posicionamento, enquanto articuladores do PL tentavam postergar a votação para depois do pleito. O recuo ocorre em meio à forte pressão da opinião pública — pesquisas como a do instituto Quaest indicam que cerca de 70% dos brasileiros apoiam o fim da jornada de seis dias de trabalho por um de descanso.
"A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6×1, então vou votar a favor", declarou o senador após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. A declaração foi divulgada inicialmente pelo veículo ICL Notícias.
Críticas mantidas e defesa de compensação
Apesar de garantir o voto favorável para evitar desgaste eleitoral, o candidato manteve o tom crítico sobre os impactos econômicos da medida e cobrou uma postura do Poder Executivo para mitigar custos no setor privado.
"Os empresários estão sufocados, estão quebrados. Então o governo vai ter que bancar essa compensação", defendeu Flávio, voltando a mencionar o texto alternativo proposto por seu partido, que prevê a flexibilização da jornada com pagamento e redução salarial proporcionais às horas trabalhadas.
Votação decisiva no Senado
A votação do texto está pautada para esta quarta-feira (14) por determinação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Mesmo cumprindo agenda de campanha em Porto Alegre, Flávio Bolsonaro deve registrar seu posicionamento de forma remota.
O debate sobre a flexibilização do trabalho consolidou-se como um dos temas centrais do debate eleitoral deste ano, impondo revisões de estratégias nas candidaturas de oposição à medida que a cobrança popular se intensificou nas ruas e nas redes sociais.
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