Política

Rodrigo Cunha exonera comissionados e abre caminho para dar sua própria cara à gestão herdada de JHC

Medida alcança também ocupantes de cargos abrangidos pela portaria envolvidos na investigação do caso Banco Master; Henrique Correia Vasconcellos, chefe do Gabinete Civil, é a única exceção

Redação 09/10/2026
Rodrigo Cunha exonera comissionados e abre caminho para dar sua própria cara à gestão herdada de JHC
Cunha surpreende e exonera comissionados que esperavam ficar até dezembro


O prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha (Podemos), determinou nesta sexta-feira (9) a exoneração coletiva dos ocupantes de cargos comissionados da administração municipal, preservando apenas o secretário-chefe do Gabinete Civil, Henrique Correia Vasconcellos. A decisão abre caminho para uma ampla recomposição do governo e levanta uma questão política: Cunha pretende, finalmente, imprimir sua própria identidade à estrutura que herdou do ex-prefeito JHC, eleito governador de Alagoas?

Conforme a publicação reproduzida pelo Blog Kléverson Levy, a Portaria nº 5.323, de 9 de outubro de 2026, foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial do Município. O ato alcança os ocupantes de cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS), de Natureza Especial (NES) e de funções gratificadas da administração direta e indireta do Executivo municipal.

A amplitude da medida coloca em discussão mais do que uma simples troca de secretários. Com os postos disponíveis para novas nomeações, Rodrigo Cunha passa a ter a oportunidade de reorganizar a equipe, redefinir espaços de aliados e estabelecer quem deverá conduzir a Prefeitura sob seu comando.

A decisão ocorre cinco dias depois da eleição de JHC para o Governo de Alagoas. O ex-prefeito deixou o Executivo municipal em abril para disputar o comando do Estado, sendo sucedido por Cunha. Embora a responsabilidade administrativa tenha passado ao sucessor, a formação da equipe continuou carregando a influência política da gestão anterior. 


Caso Banco Master também entra na mudança


O alcance geral da portaria abrange também agentes citados na investigação sobre as aplicações do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master que ainda ocupavam cargos sujeitos à exoneração.

Nesse contexto está João Felipe Alves Borges, identificado nas reportagens sobre o caso como secretário municipal da Fazenda e integrante do Conselho de Administração do Iprev no período dos aportes investigados. Ele foi alvo de busca e apreensão e de bloqueio de bens, mas havia sido mantido na equipe de Rodrigo Cunha. A investigação trata de R$ 97 milhões aplicados em duas operações, realizadas em dezembro de 2023 e maio de 2024.


A exoneração coletiva, entretanto, não equivale a uma punição específica pelo caso Banco Master. O ato reproduzido pelo blog estabelece uma mudança geral no quadro administrativo, sem apontar a investigação como fundamento. Também não permite afirmar que todos os investigados foram agora afastados, uma vez que parte deles já não ocupava cargos na Prefeitura.

O efeito político é relevante: a recomposição oferece a Cunha a possibilidade de decidir se manterá, por meio de novas nomeações, integrantes associados a um dos episódios mais controversos da administração que recebeu.


Um único nome preservado


A permanência de Henrique Correia Vasconcellos é o sinal mais claro de confiança pessoal na reorganização. Enquanto os demais cargos abrangidos pela portaria foram atingidos, o titular do Gabinete Civil foi expressamente preservado.

Segundo Kléverson Levy, novas nomeações devem ocorrer na próxima semana, e alguns dos exonerados poderão retornar. O jornalista também relata que havia uma expectativa de mudanças apenas no fim de dezembro, em razão de acordos de bastidores para manter aliados até o encerramento do ano. Se essa previsão de retorno se confirmar, a dimensão da mudança dependerá de quem será reconduzido e de quais nomes entrarão na administração. Uma exoneração ampla pode produzir uma equipe efetivamente renovada ou resultar na redistribuição de cargos entre os mesmos grupos.

Por enquanto, a portaria demonstra que Rodrigo Cunha abriu espaço para refazer o governo. A hipótese de que queira dar uma nova cara à Prefeitura é uma leitura política plausível, mas ainda depende das próximas decisões.

As nomeações seguintes mostrarão quanto dessa reorganização representará autonomia do prefeito e quanto preservará a estrutura política do antecessor. É nessa escolha — especialmente nos postos estratégicos e nos cargos ligados à gestão financeira — que a “nova gestão” de Maceió começará a ganhar contornos concretos.