Política
Sakamoto: bolsonarismo transforma o feed das rede sociais em palanque enquanto lulismo fica para trás
Colunista do UOL aponta vantagem da extrema direita na mobilização pelas redes e cobra mudança na comunicação do campo progressista
A força eleitoral do bolsonarismo passa por uma estrutura de comunicação digital permanente, enquanto o lulismo ainda concentra esforços na divulgação de obras e realizações do governo. Essa é a avaliação do jornalista Leonardo Sakamoto no artigo “Feed virou palanque do bolsonarismo. Lulismo ainda procura o microfone”, publicado nesta segunda-feira (5), no UOL.
Para o colunista, o resultado do primeiro turno de 2026 evidencia uma transformação que parte das lideranças políticas ainda não compreendeu: as redes sociais deixaram de funcionar apenas como ferramenta de campanha e passaram a ocupar o centro da disputa por votos, identidade e pertencimento.
Na análise de Sakamoto, a extrema direita construiu um ecossistema capaz de alcançar diariamente milhões de brasileiros, com vídeos curtos, mensagens em grupos e conteúdos que mantêm seus apoiadores mobilizados. A comunicação ocorre continuamente, muito antes do calendário eleitoral.
O jornalista sustenta que essa presença permite aos grupos bolsonaristas influenciar a interpretação dos acontecimentos e definir os assuntos debatidos por parcelas expressivas da população. Nesse ambiente, segundo ele, o jornalismo profissional perdeu espaço na mediação do debate público e frequentemente chega depois das narrativas que já circularam nas plataformas.
Influenciadores convertem audiência em votos
Sakamoto aponta a votação de candidatos com forte presença digital como expressão dessa mudança. Conforme os números apresentados no artigo, Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) ultrapassaram, cada um, a marca de 3 milhões de votos.
O colunista também cita André Fernandes, Julia Zanatta, Jeffrey Chiquini e Delegado Caveira como exemplos de uma atuação política baseada na produção constante de conteúdo e na mobilização de seguidores.
Sua avaliação é que esses personagens não usam as redes apenas para divulgar o mandato: a criação de conteúdo se tornou parte central da própria atividade política, com a indignação funcionando como combustível de engajamento eleitoral.
Esquerda tem destaques, mas falta articulação
O artigo reconhece o desempenho de nomes progressistas, como Erika Hilton e Sâmia Bomfim. Entretanto, Sakamoto considera que esses resultados individuais não compensam a diferença de organização entre os campos políticos.
Para ele, o problema do lulismo não se resolve apenas com mais publicações sobre entregas administrativas. A disputa exige investimento em tecnologia, acompanhamento das conversas nas redes e construção contínua de comunidades locais e temáticas.
O alerta dirigido especialmente ao PT é que divulgar realizações e esperar reconhecimento do eleitor se tornou insuficiente. Na leitura do colunista, enfrentar a vantagem digital bolsonarista depende de transformar comunicação em organização política cotidiana, com presença, interação e capacidade de mobilização.
Com informações do artigo de Leonardo Sakamoto, publicado no UOL em 5 de outubro de 2026.
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