Política

Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) vão disputar segundo turno no DF

Eleições 2025: desafios e crises marcam disputa no Distrito Federal

Estadao Conteudo 04/10/2026
Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) vão disputar segundo turno no DF
Celina Leão (PP) - Foto: Reprodução / Instagram

A governadora Celina Leão (PP) e o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT) vão disputar o segundo turno da eleição para o governo do Distrito Federal. Com 100% das urnas apuradas, Celina Leão teve 49,93% dos votos, enquanto Leandro Grass registrou 34,47%. Assim, segundo os dados totalizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o segundo turno está definido.

Paula Belmonte (PSDB) obteve 8,51%, Kiko Kaputo (Novo) registrou 4,36% e Ricardo Cappelli (PSB) ficou com 2,23%. Os demais candidatos tiveram menos de 1% dos votos válidos.

A eleição no Distrito Federal ocorre em meio à crise do Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governo distrital. A instituição sofreu um rombo bilionário após fraudes praticadas com o Banco Master, que pertencia ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Celina havia prometido cobrir o prejuízo do Master no BRB até junho, mas não cumpriu a promessa. O governo do Distrito Federal solicitou um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas não conseguiu o aval de bancos nem da União para finalizar a operação. A governadora recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar a União a oferecer garantia no financiamento, e o processo está nas mãos do ministro Luiz Fux.

O BRB não publicou o balanço financeiro de 2025, mas o prejuízo é estimado em pelo menos R$ 8,8 bilhões. O rombo pode ser maior, dependendo da auditoria feita nas carteiras do Master que foram parar no Banco de Brasília e do patrimônio final da instituição.

Conforme o Estadão demonstrou, a falta de balanço esvaziou os planos dos principais candidatos para o BRB, que temem o fechamento do banco após as eleições, seja por privatização ou liquidação. Na semana anterior às eleições, Celina afirmou ao Estadão que, com o fim das eleições, o problema do BRB também seria solucionado, destacando que o plano A era manter o banco público.

Além da crise do BRB, quem vencer a eleição enfrentará o desafio de reverter o rombo no orçamento do Distrito Federal. O Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou um rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas relativas a 2025.

No primeiro semestre, o governo do Distrito Federal registrou um superávit de R$ 1,7 bilhão, mas isso só foi possível com a arrecadação extraordinária após a venda de parcelas da dívida ativa do DF, a chamada securitização, que antecipou receitas para os cofres, e com uma contenção de gastos que podem se acumular no fim do ano ou ser transferidos para o ano seguinte.

A campanha de Celina no primeiro turno foi marcada pelo discurso de que ela representaria um "novo governo", em uma tentativa de se desvincular de Ibaneis, desgastado pela crise do Banco Master. Ibaneis foi o principal fiador político da compra do Master pelo BRB. O ex-presidente do banco Paulo Henrique Costa, braço direito do ex-governador, foi preso acusado de receber propina do banqueiro Daniel Vorcaro. Além da crise do BRB e do rombo no orçamento,

Leandro Grass (PT), por sua vez, apostou em campanhas apelando pelo voto útil e tentando conquistar votos até a última hora, afirmando que apenas ele poderia chegar ao segundo turno contra Celina Leão. O principal desafio da sua campanha é enfrentar as resistências ao PT na capital, influenciadas pelo bolsonarismo e pelo histórico da gestão petista no Executivo distrital.

O resultado ocorreu após a saída do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) da campanha. Ele estava em segundo lugar nas pesquisas e foi barrado pela Justiça Eleitoral devido à Lei da Ficha Limpa. Na última semana, a maioria das pesquisas apontavam para a possibilidade de Celina vencer no primeiro turno. A pesquisa Atlas divulgada neste domingo, 4, revelou um cenário alternativo e apontou o segundo turno entre Celina e Grass.