Política
Prazo acaba às 19h e Alagoas caminha para duelo entre Renan Filho e JHC pelo Governo
Depois de uma semana marcada pela operação da PF no Iprev e por especulações sobre uma ida ao Senado, JHC deve confirmar candidatura ao governo; Renan Filho chega ao último dia fortalecido pelo encontro e gravação com Lula em Brasília
O relógio político corre neste sábado (15) em Alagoas. Às 19h termina o prazo para que partidos e federações apresentem à Justiça Eleitoral os pedidos de registro das candidaturas, fechando uma semana de intensa movimentação, alterações de chapas e especulações sobre o destino dos principais nomes da eleição estadual.
Entre tantas dúvidas sobre vices, candidatos ao Senado e composições proporcionais, o cenário construído pelas convenções aponta para o confronto que há meses domina a política alagoana: Renan Filho (MDB) e JHC (PSDB) como principais adversários na disputa pelo Governo do Estado.
O MDB já oficializou Renan Filho como candidato ao Palácio República dos Palmares. Do outro lado, a Federação PSDB/Cidadania anunciou JHC como seu candidato ao governo na convenção do último dia 5, mesmo com a ausência dele no evento.
A expectativa agora é que o próprio JHC encerre neste sábado o período de silêncio e indefinições e assuma publicamente o projeto eleitoral que foi colocado de pé por sua aliança.
JHC atravessou sua semana mais difícil
Para JHC, a confirmação ocorre depois de uma das semanas politicamente mais turbulentas desde que deixou a Prefeitura de Maceió para disputar as eleições de 2026.
Na segunda-feira (10), a Polícia Federal bateu à porta do Iprev de Maceió, em operação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A investigação apura as circunstâncias de duas aplicações que somaram R$ 97 milhões dos recursos previdenciários dos servidores municipais em letras financeiras do Banco Master, realizadas em 2023 e 2024, período em que JHC comandava a Prefeitura.
O impacto político foi imediato.
Entre os alvos das buscas estava João Felipe Alves Borges, secretário municipal da Fazenda e integrante da estrutura administrativa das gestões de JHC e do atual prefeito Rodrigo Cunha. O secretário também integrou o Conselho de Administração do Iprev, órgão relacionado às diretrizes da política de investimentos do instituto.
Também foi alvo o ex-presidente do instituto Ronnie Reyner Teixeira Mota.
A decisão do STF menciona suspeitas levantadas pela Polícia Federal sobre possível direcionamento dos investimentos, deficiência na análise dos riscos e exposição dos recursos previdenciários a ativos de risco elevado e baixa liquidez. As investigações estão em andamento e não significam condenação dos envolvidos.
Foi neste cenário que JHC praticamente desapareceu do debate público.
Enquanto o caso Iprev-Master dominava o noticiário, surgiu uma nova narrativa política: a possibilidade de o ex-prefeito abandonar a candidatura ao Governo de Alagoas e disputar uma cadeira no Senado.
A especulação ganhou dimensão nacional. Na quinta-feira (13), coluna do UOL chegou a publicar que JHC teria decidido concorrer ao Senado e comunicado a decisão a dirigentes partidários e ao presidente Lula. Até então, porém, não havia anúncio público do próprio JHC confirmando a suposta mudança, enquanto sua federação havia oficialmente anunciado sua candidatura ao governo na convenção.
Na prática, a discussão sobre o futuro eleitoral de JHC funcionou como uma cortina de fumaça política que deslocou parte das atenções do caso Iprev justamente nos dias seguintes à operação da Polícia Federal.
Durante algumas horas, deixou-se de perguntar apenas quem decidiu aplicar R$ 97 milhões da previdência municipal no Banco Master para discutir se JHC seria candidato ao governo ou ao Senado.
Neste sábado, a expectativa é de que essa novela termine.
Com o encerramento do prazo eleitoral às 19h, JHC terá de sair definitivamente do terreno das especulações e colocar seu nome e sua chapa no tabuleiro.
Renan teve uma semana bem diferente
Se JHC passou os últimos dias tentando atravessar uma tempestade política, Renan Filho viveu uma semana de roteiro praticamente oposto.
Sem uma crise semelhante para administrar, o candidato do MDB concentrou suas atividades em articulações políticas e agendas em Brasília.
Na sexta-feira (14), Renan esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os dois fizeram as primeiras gravações conjuntas destinadas ao guia eleitoral da campanha em Alagoas.
Antes da gravação, Renan afirmou que pretendia agradecer a Lula pela oportunidade de ter comandado o Ministério dos Transportes e destacar obras e investimentos federais realizados em Alagoas durante sua passagem pela pasta.
A presença de Lula no guia também deixa explícita uma das principais estratégias eleitorais do MDB: nacionalizar parte da disputa alagoana e explorar a força eleitoral do presidente no Nordeste, região em que Lula mantém desempenho significativamente superior à média nacional nas pesquisas presidenciais. Na Quaest divulgada nesta sexta-feira (14), por exemplo, Lula alcançou 57% das intenções de voto no Nordeste.
Renan chega, portanto, ao encerramento do prazo eleitoral com sua candidatura consolidada, apoio presidencial exposto e sem precisar administrar as dúvidas que cercaram seu principal adversário durante toda a semana.
Agora é Renan contra JHC
Às 19h deste sábado, acaba o tempo das convenções, das atas abertas e das especulações sobre mudanças de última hora.
E começa a ganhar forma definitiva a eleição que Alagoas já vinha ensaiando há meses.
De um lado, Renan Filho, ex-governador, ex-ministro dos Transportes e candidato do MDB, chegando à largada abraçado politicamente ao presidente Lula.
Do outro, JHC, ex-prefeito de Maceió, que terá de transformar em campanha eleitoral uma aliança construída para enfrentar o grupo dos Calheiros e, ao mesmo tempo, administrar o desgaste provocado pela investigação federal sobre o Iprev durante sua gestão.
JHC chega depois de uma semana de silêncio, especulações e uma operação da Polícia Federal atingindo uma das áreas mais sensíveis de sua administração.
Renan chega depois de uma semana de Brasília, articulações e imagens ao lado do presidente da República.
São duas largadas completamente diferentes para uma disputa que promete colocar frente a frente os dois principais grupos políticos de Alagoas.
Às 19h, acaba o prazo.
Depois disso, acaba também a desculpa para a indefinição.
A campanha começa de verdade.
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