Política
Missão aciona TSE e entrega dados para identificar autor de filiação fraudulenta de Flávio
Partido pede investigação sobre cadastro associado ao senador sem autorização.
A Missão do Partido recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para solicitar uma investigação sobre a filiação partidária transferida ao senador Flávio Bolsonaro , a qual foi realizada sem autorização. A legenda afirma ter reunidos registros técnicos que podem ajudar a identificar quem fez o cadastro, além de sustentar que dados falsos foram inseridos no sistema.
O caso será relatado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques . Na ação, o partido aponta, em tese, a ocorrência de falsidade ideológica eleitoral e pede a purificação da materialidade e da autoria dos fatos.
As missões também registraram um boletim de ocorrência na Polícia Federal , afirmando que pretende colaborar com as investigações e se apresentar como vítima de suposta fraude.
“Entramos com uma representação no TSE sobre o absurdo que foi essa manipulação que desejou fazer no nosso sistema com a filiação do Flávio. Todas as informações que já disponibilizamos à imprensa serão repassadas ao tribunal para a devida apuração”, declarou o presidente nacional da Missão e candidato à Presidência, Renan Santos .
Na petição encaminhada ao TSE, a Missão indica que seu técnico do setor conseguiu recuperar informações relacionadas à atribuição de cadastro a Flávio Bolsonaro. Entre os dados identificados está o endereço de IP utilizado para realizar a operação em 2 de agosto , às 9h05.
A legenda ressalta que informações pessoais foram adulteradas durante o preenchimento do formulário, incluindo CPF e endereço. Para o partido, a divergência nos dados indica uma tentativa deliberada de roubo ou sistema de filiação.
Com base nesses registros, a Missão solicita que os provedores sejam acionados para informar a origem e a titularidade do IP, além das contas associadas ao endereço no período, e dos registros de conexão que possam ajudar a determinar a origem do acesso.
A petição também chama atenção para o endereço de e-mail segundo utilizado durante o procedimento, que, o partido, aparentemente estar relacionado a Flávio Bolsonaro.
Outro conjunto de registros apresentados ao TSE envolve os e-mails encaminhados ao endereço oficial utilizado pelo senador durante seu mandato. De acordo com a documentação relatada pela Missão, as mensagens aparecem com registros de entrega, abertura e cliques.
O partido informa que Flávio Bolsonaro recebeu comunicações durante o período entre a solicitação inicial e o processamento da filiação pela Justiça Eleitoral. O senador, por sua vez, afirmou que essas mensagens são como spam. Renan Santos contestou essa explicação e defendeu que os registros sejam realizados durante a investigação.
"Ele foi notificado por e-mail. O Gmail oficial foi aberto, houve cliques em botões relacionados à filiação. Depois ele alegou que descobriu que era spam. Tudo isso precisa ser esclarecido", afirmou.
Missão relacionada tentativa de cancelar registro no sistema eleitoral
A legenda também apresentou ao TSE informações sobre uma tentativa de interrupção do procedimento antes que a filiação fosse consolidada no sistema Filia , da Justiça Eleitoral.
Segundo a representação, após identificar inconsistências entre o CPF informado no cadastro e no documento vinculado ao título eleitoral, o partido tentou cancelar o registro. A operação teria ocorrido em 12 de agosto , às 9h11, mas o sistema retornou erro HTTP 403, solicitando falta de autorização para acesso ao recurso.
No dia seguinte, conforme os registros apresentados pela Missão, a filiação passou a constar como "Regular". O partido afirma que já havia comunicado, em março e julho, problemas semelhantes relacionados ao sistema Filia.
O sistema também recebeu tentativa de cadastro em nome de Lula
A representação apresentada ao TSE relata ainda um segundo episódio. Após a repercussão da filiação atribuída a Flávio Bolsonaro, a Missão afirma que recebeu, em 13 de agosto , uma tentativa de cadastro em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o partido, a operação foi identificada e cancelada antes de ser encaminhada ao sistema Filia.
A Missão garante que disponibilizará os registos para perícias e auditorias e pedirá que a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifeste sobre o caso. A legenda também exige a abertura de um inquérito policial para apurar eventuais crimes relacionados às duas ocorrências.
"Queremos que a Justiça resolva tudo. É do nosso maior interesse. Não apenas estamos tranquilos, como estamos muito curiosos para descobrir o porquê dessa situação. Quanto mais vai se aprofundando, mais vai cheirando mal", declarou Renan Santos.
Na representação, o partido sustenta que a apuração deve esclarecer não apenas quem fez o cadastro, mas também como dados divergentes foram aceitos pelo sistema e posteriormente validados no ambiente da Justiça Eleitoral.
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