Política

Congresso tem 32 medidas provisórias para serem votadas

Entre elas estão propostas sobre renegociação de dívidas, combustíveis, transporte e apoio a empresas.

Câmara dos Deputados 03/08/2026
Congresso tem 32 medidas provisórias para serem votadas
Congresso Nacional discute 32 medidas provisórias, incluindo apoio ao transporte e combustíveis. - Foto: Carol Garcia/GOVBA

O Congresso Nacional retoma os trabalhos em agosto com 32 medidas provisórias para analisar. Entre elas estão propostas sobre renegociação de dívidas, combustíveis, transporte, ressarcimento de descontos indevidos em benefícios do INSS e apoio a empresas afetadas pelo aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Há ainda uma série de medidas editadas para subsidiar combustíveis, reduzindo os impactos da alta internacional do petróleo, além de propostas de apoio a empresas afetadas pelos tarifas impostos pelos Estados Unidos.

Várias MPs trazem incentivos e linhas de crédito para o transporte de passageiros, focando na renovação sustentável de frotas para motoristas profissionais e taxistas, além de apoio ao setor aéreo.

As medidas provocam efeitos imediatos, mas dependem da aprovação do Congresso para serem convertidas em lei. A votação ocorrerá primeiro nas comissões mistas, depois na Câmara e, por último, no Senado. Caso não sejam aprovadas no prazo máximo de 120 dias, as MPs perderão a validade. A contagem dos prazos é interrompida durante o recesso parlamentar, que não ocorreu em 2026, pois o Congresso não pôde entrar formalmente em recesso sem a votação do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias.

O projeto da LDO de 2027 (PLN 2/26) ainda não foi votado.

Conheça a tramitação de medidas provisórias

Desenrola
No Novo Desenrola Brasil, instituído pela MP 1355/26, pessoas com renda mensal de até R$ 8.105 poderão refinanciar dívidas de até R$ 15 mil por banco com taxa de juros máxima de 1,99% ao mês. A MP também contém regras específicas para aliviar dívidas de pequenas e microempresas, alcançando ainda os endividados com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

O programa abrange as dívidas referentes a empréstimos feitos até 31 de janeiro de 2026, com parcelas atrasadas entre 91 e 720 dias. Essas dívidas devem ser pessoais e relacionadas a cartão de crédito parcelado ou rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem consignação em folha, por exemplo.

Editada em maio, a medida precisa ser votada até 31 de agosto e ainda aguarda a instalação da comissão mista na qual será analisada, para seguir para a Câmara e depois para o Senado.

Outra medida que aguarda instalação da comissão mista é a MP 1373/26, que institui os programas Desenrola Adimplentes e Fies Empreendedor. As novas regras permitem a renegociação de dívidas de trabalhadores informais que estejam com o pagamento das parcelas em dia.

Estudantes beneficiados pelo Fies, que estiverem com parcelas em dia, poderão acessar um crédito especial para investir em seu próprio negócio.

Taxa das blusinhas
Publicada em maio, a MP 1357/26 tornou mais baratas as compras internacionais de pequeno valor. Um dos principais impactos da medida é o fim do Imposto de Importação para compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas no âmbito do Programa Remessa Conforme, tributo popularmente conhecido como taxa das blusinhas.

A cobrança sobre compras internacionais de pequeno valor havia sido implementada em 2024 e gerou reações de consumidores, além de debates entre plataformas estrangeiras de comércio eletrônico e representantes do varejo nacional.

INSS
Publicada em julho, a MP 1378/26 abriu crédito extraordinário de R$ 547 milhões ao Ministério da Previdência Social. O valor deve ser utilizado para ressarcir aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos de entidades associativas. O ressarcimento será destinado a quem se cadastrou no aplicativo Meu INSS até o dia 20 de junho.

Já a MP 1369/26 amplia as atribuições do Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB), com a intenção de reduzir as filas de análise de benefícios do INSS e da Perícia Médica Federal.

Combustíveis
A alta do petróleo levou o governo a editar, no primeiro semestre de 2026, diversas medidas provisórias para tentar mitigar o impacto no preço dos combustíveis para os brasileiros.

Uma das medidas é a MP 1349/26, que institui o Regime Emergencial de Abastecimento Interno de Combustíveis. Essa medida ainda não foi analisada pela comissão mista e precisa ser votada na primeira semana de agosto, pois o prazo se encerra no dia 4.

Além dela, estão em análise a MP 1358/26, que concede subvenção econômica à venda de combustíveis derivados de petróleo; a MP 1363/26, que prevê subsídio para produtores e importadores de diesel; e outras propostas com créditos extraordinários para viabilizar ações contra a alta de preços de combustíveis (MP 1351/26, MP 1368/26, MP 1372/26 e MP 1380/26).

Tarifaço
A MP 1379/26 viabiliza a terceira rodada do Plano Brasil Soberano, com um socorro de R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.

Esse programa abrange não apenas as empresas diretamente afetadas pelo tarifaço norte-americano, mas também os exportadores prejudicados por conflitos internacionais, como os do Golfo Pérsico, além de setores considerados essenciais.

A MP 1352/26 destinou R$ 5 bilhões adicionais para o Fundo de Garantia à Exportação (FGE), a fim de reforçar o Plano Brasil Soberano.

Transporte
Sete medidas em análise no Congresso tratam do setor de transporte de cargas e passageiros. Entre elas, destaca-se a MP 1360/26, que simplifica exigências para o exercício da atividade dos mototaxistas, motoboys e profissionais do motofrete. O texto elimina o registro do veículo na categoria aluguel e a inspeção semestral dos equipamentos obrigatórios e de segurança, entre outras regras.

Outras medidas criam linhas de financiamento para a compra de veículos novos por motoristas de aplicativo, taxistas e cooperativas de táxi (MP 1359/26), por mototaxistas e motoboys (MP 1366/26) e por transportadores de cargas e empresas de transporte de cargas ou passageiros (MP 1353/26).

Ainda há medidas provisórias com créditos extraordinários para viabilizar as linhas de financiamento de novos veículos (MP 1362/26 e MP 1354/26) e uma com crédito para empréstimos às companhias aéreas nacionais (MP 1365/26).