Política

CDH aprova projeto que suspende regras sobre identidade de gênero em escolas

Proposta susta dispositivos de resolução do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+ referentes ao uso de espaços por identidade de gênero em instituições de ensino

16/04/2026
CDH aprova projeto que suspende regras sobre identidade de gênero em escolas
Zequinha Marinho - Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou, na quarta-feira (15), o Projeto de Decreto Legislativo que suspende dois dispositivos da Resolução 2, de 2023, do Conselho Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+. Relatada pelo senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), a proposta segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

De autoria do senador Magno Malta (PL-ES), o PDL 342/2023 suspende regras que tratam do uso de espaços segregados por gênero nas escolas e da aplicação dessas diretrizes a menores de 18 anos. A medida ainda precisa passar por outras etapas no Congresso para entrar em vigor.

O que diz a resolução

A Resolução 2, de 2023, estabelece orientações para garantir o acesso e a permanência de estudantes trans nas instituições de ensino. Entre as diretrizes, prevê o uso do nome social em registros escolares e o tratamento por esse nome no ambiente educacional.

Os dispositivos contestados pelo PDL, presentes nos artigos 5º e 10º, determinam que estudantes possam utilizar banheiros e vestiários conforme a identidade de gênero, estendendo essas garantias a crianças e adolescentes, com participação dos responsáveis legais.

Justificativa

No relatório aprovado, Zequinha Marinho argumenta que esses trechos extrapolam o poder regulamentar do conselho e tratam de matéria que deveria ser definida em lei.

— Portanto, não pode um conselho independente qualquer baixar normativa determinando aquilo que somente o Poder Legislativo pode determinar por meio do devido processo legal — afirmou o senador.

O parecer também sustenta que a resolução contraria dispositivos da Constituição e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cabendo ao Congresso sustar normas que ultrapassem esse limite.