Política
Acampamento indígena em Brasília anuncia apoio à reeleição de Lula, mas aponta contradições
Carta aberta ressalta conquistas do governo, mas critica exploração de petróleo e cobra avanços na demarcação de terras
Organizações de defesa dos povos indígenas reunidas no Acampamento Terra Livre (ATL), realizado nesta semana em Brasília, divulgaram uma carta aberta em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas destacaram que "persistem contradições" e criticaram a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
O documento, intitulado "Nosso apoio demanda compromisso", foi publicado na sexta-feira (10) e assinado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e outras sete entidades representativas. O acampamento começou na segunda-feira (6) e contou com uma série de atividades ao longo da semana na capital federal.
"Para nós, povos indígenas, soberania é demarcar todas as Terras Indígenas e garantir a proteção física e cultural dos nossos povos. Diante desse cenário, afirmamos nosso apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. Nosso apoio não é cego", afirmaram as organizações. "Seguimos com autonomia para cobrar e pressionar politicamente os rumos das decisões que afetam nossas vidas", acrescentaram.
As entidades indígenas reivindicam mais estrutura e orçamento para políticas voltadas aos povos originários e cobram respostas às crises climáticas, colocando os territórios indígenas no centro das discussões. Reconhecem avanços recentes, como a criação do Ministério dos Povos Indígenas e a retomada das demarcações, mas ressaltam que tais medidas ainda não atendem à "urgência do momento".
"Persistem contradições em temas estratégicos. Ao mesmo tempo em que há compromisso ambiental, seguem pressões por grandes empreendimentos e novas frentes de exploração, como o petróleo na Foz do Amazonas. Essa lógica mantém a exploração dos territórios sob nova linguagem e exige uma posição firme que coloque a demarcação no centro da política climática", destaca o manifesto.
Em 5 de fevereiro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concedeu autorização para que a Petrobras retomasse a perfuração do poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. A operação havia sido suspensa em 4 de janeiro, após um incidente provocar o vazamento de fluido de perfuração biodegradável. Segundo a Petrobras, não houve risco ambiental.
Pelo vazamento, a Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Nesta semana, a estatal informou ter enviado ao Ibama as informações solicitadas para obter autorização para perfurar mais três poços na bacia da Foz do Amazonas.
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