Política

Resistência de Michelle a apoiar Flávio Bolsonaro em 2026 gera crise interna no PL

Ausência da ex-primeira-dama em atos de pré-campanha expõe racha familiar e ameaça estratégia da direita para atrair eleitorado feminino e evangélico

Redação/DCM 08/04/2026
Resistência de Michelle a apoiar Flávio Bolsonaro em 2026 gera crise interna no PL
- Foto: DCM/Brenno Carvalho/O Globo

A engrenagem política do Partido Liberal (PL) para as eleições presidenciais de 2026 encontrou um obstáculo inesperado dentro da própria residência da família Bolsonaro. A recusa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em se engajar na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto acendeu um sinal de alerta entre aliados, que já tratam o distanciamento como um "problema político real".

Para estrategistas do partido, Michelle é a peça-chave para suavizar a imagem de Flávio e garantir a interlocução com dois nichos decisivos: mulheres e evangélicos. No entanto, desde o lançamento da candidatura do enteado, ela tem evitado palanques e agendas públicas ao lado dele, aprofundando a sensação de isolamento do senador.

"Disputa pelo espólio"

O clima de tensão, que antes ficava restrito às paredes de casa, transbordou para o Congresso. Segundo apurações de bastidores, a motivação para o afastamento mescla ressentimento político e animosidade pessoal.

"A relação de Michelle com os filhos sempre foi difícil. Eles se odeiam. É a disputa pelo espólio político de alguém que ainda não morreu", disparou um integrante da tropa de choque bolsonarista, em condição de anonimato.

Entre as queixas atribuídas à ex-primeira-dama está a mágoa por não ter sido a escolhida para a vaga de vice em uma eventual chapa encabeçada por Tarcísio de Freitas. Esse sentimento de preterição teria alimentado uma série de "indiretas" digitais, como o compartilhamento de conteúdos de adversários políticos dos enteados e de pesquisas que apontam alta rejeição a Flávio.

O fator saúde e o "embate cearense"

Interlocutores próximos a Michelle tentam minimizar a crise, argumentando que sua prioridade absoluta é cuidar da saúde de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Uma fonte próxima chegou a afirmar que ela teria prometido ao ministro Alexandre de Moraes dedicação total aos cuidados do marido, o que a impediria de assumir compromissos eleitorais agora.

Contudo, episódios recentes mostram que a relação está longe da neutralidade:

Conflito no Ceará: Michelle criticou publicamente a aliança do PL com Ciro Gomes, sendo chamada de "autoritária" por Flávio.

Pedido de desculpas: Embora o senador tenha se retratado, aliados afirmam que Michelle exige uma retratação pública para reavaliar sua postura.

Fator Caiado: O PL teme que, sem o apoio de Michelle, Flávio perca terreno para Ronaldo Caiado, que tenta avançar sobre o eleitorado conservador.

Enquanto a cúpula do partido tenta mediar o conflito, o impasse reforça as fraturas internas do bolsonarismo em um cenário que se desenha de extrema polarização, onde cada gesto de desunião familiar pode custar votos preciosos na urna.