Política

Fraude no CNJ tenta expedir falso mandado de prisão contra Moraes e Lula

Tentativa de uso indevido do sistema do CNJ buscou criar mandados falsos contra autoridades; órgão nega invasão hacker e corrige dados.

23/01/2026
Fraude no CNJ tenta expedir falso mandado de prisão contra Moraes e Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) identificou uma nova tentativa de fraude em seu sistema, com o objetivo de expedir um falso mandado de prisão contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O episódio foi confirmado pelo órgão nesta quinta-feira, 22.

Segundo o CNJ, desta vez não houve invasão hacker, mas sim uso indevido do sistema por meio de credenciais de acesso comprometidas, pertencentes a usuários de tribunais. As informações foram obtidas de forma irregular após roubo de credenciais, o que permitiu a tentativa de alteração de dados no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões.

O órgão esclareceu, em nota oficial, que não houve expedição efetiva de mandados contra as autoridades mencionadas. "As ações foram realizadas por meio de credenciais de acesso comprometidas, pertencentes a usuários de tribunais, em decorrência de roubo de credenciais, utilizadas de forma indevida no sistema. Não houve invasão, violação ou comprometimento dos sistemas do CNJ. A alteração não resultou na expedição de mandados contra as autoridades mencionadas. O incidente foi identificado, tratado e os dados foram devidamente corrigidos", informou o CNJ.

Em 2023, Moraes já havia sido alvo de uma invasão hacker nos sistemas do CNJ. Na ocasião, o hacker Walter Delgatti Neto, a mando da então deputada Carla Zambelli (PL-SP), expediu um mandado de prisão falso contra o ministro, assinado pelo próprio magistrado. Ambos foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal pelo episódio. O documento falso trazia, inclusive, a frase: "Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o 'L'".

A reportagem procurou o gabinete de Alexandre de Moraes e a Presidência da República, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Delgatti está em regime semiaberto e Zambelli, presa na Itália

O ministro Moraes autorizou, neste mês, a progressão do hacker Walter Delgatti Neto do regime fechado para o semiaberto, após ele cumprir parte da pena de oito anos e três meses pela invasão dos sistemas do CNJ, a mando de Zambelli.

Já a ex-deputada Carla Zambelli aguarda, presa na Itália, decisão sobre sua extradição ao Brasil. A Justiça italiana adiou, nesta terça-feira, 20, o julgamento do caso pela quarta vez.