Política
“O Congresso não pode cruzar os braços”, diz Renan sobre investigação do Master
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos afirma que crise custou cerca de R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos e promete investigação profunda para apurar responsabilidades e possíveis irregularidades no mercado financeiro
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) publicou nesta semana um vídeo em suas redes sociais no qual anuncia uma ofensiva do Senado Federal para investigar o caso do Banco Master, instituição que teve sua liquidação determinada pelo Banco Central após sucessivos problemas financeiros e regulatórios.
Como presidente
da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Renan informou que foi criada uma subcomissão específica para acompanhar, investigar e esclarecer todos os fatos relacionados ao episódio.
No pronunciamento, o parlamentar afirmou que o colapso do banco “cobrou um preço alto da sociedade” e revelou falhas graves de fiscalização, atingindo diretamente a confiança no sistema financeiro nacional. Para Renan, quando a credibilidade do mercado é abalada, o Congresso não pode permanecer inerte.
“Quando a confiança no sistema financeiro é abalada, o Congresso não pode cruzar os braços”, afirmou o senador.
Renan reconheceu que o Banco Central do Brasil atuou ao decretar a liquidação do Banco Master, ainda que, segundo ele, de forma tardia. A medida foi classificada como “dura, porém necessária”, mas o atraso na intervenção teria gerado consequências severas. De acordo com o senador, o impacto estimado chega a cerca de R$ 50 bilhões sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), além de prejuízos significativos para investidores e fundos.
Críticas diretas à CVM
O ponto mais contundente do pronunciamento foi direcionado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Renan acusou a autarquia de prevaricação e de falhar gravemente no seu dever legal de fiscalização dos fundos de investimento.
Segundo ele, não se trata de um simples erro administrativo, mas de uma “cegueira total” por parte do órgão regulador. O senador questionou como foi possível permitir que ativos fossem precificados de maneira irreal, criando uma falsa sensação de segurança para investidores, sem que a CVM emitisse qualquer alerta ao mercado.
“Quem estava acompanhando a marcação de cota desses fundos? Como foi possível permitir que os ativos fossem precificados de forma irreal?”, indagou.
Para Renan, o quadro é de “gravidade estarrecedora” e exige uma resposta institucional firme.
Senado promete investigação profunda
Diante do cenário, o senador garantiu que o Senado, por meio da CAE, irá assumir a responsabilidade de aprofundar as investigações. Estão previstas audiências públicas, convocações de autoridades, gestores de fundos e demais envolvidos, além da análise detalhada de cada etapa das operações financeiras.
Renan afirmou que o objetivo é identificar quem operou, quem autorizou e quem se omitiu, destacando que o mercado financeiro não pode servir de fachada para práticas ilícitas, incluindo lavagem de dinheiro do crime organizado.
“O Senado não pode e não vai se calar diante de um mercado que, sob a fachada de investimentos complexos, muitas vezes se presta a lavar dinheiro”, declarou.
O parlamentar também enfatizou que não faz sentido discutir novas regras antes de responsabilizar quem descumpriu as normas já existentes.
Segundo ele, a prioridade será a punição dos responsáveis, garantindo que o país não volte a “pagar a conta da omissão”.
Ao final do vídeo, Renan Calheiros reafirmou o compromisso da Comissão de Assuntos Econômicos em cumprir seu papel constitucional e assegurou que a investigação será conduzida com rigor e transparência.
“Nós vamos investigar fundo. O Brasil não aceita mais pagar a conta da omissão”, concluiu.
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