Poder e Governo

Na Globo, Lula diz ser a favor de reduzir maioridade penal 'em todo e qualquer crime hediondo'

Presidente é o primeiro sabatinado pela emissora no segundo turno; ele afirmou ainda que as facções são 'terroristas para as comunidades brasileiras', e não 'terroristas de Estado'

Agência O Globo - 16/10/2026
Na Globo, Lula diz ser a favor de reduzir maioridade penal 'em todo e qualquer crime hediondo'
Foto: © telegram SputnikBrasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira, em entrevista à Globo, que é favorável à redução da maioridade penal no caso de crimes hediondos. O petista inaugurou as sabatinas da emissora no segundo turno. Flávio Bolsonaro (PL) será entrevistado nesta sexta.

Datafolha:

— Em todo e qualquer crime hediondo eu sou a favor de reduzir a maioridade penal — disse.

A resposta se deu na esteira do episódio em que o líder do PT no Senado, Camilo Santana, apresentou durante a discussão da PEC da Segurança, bandeira do governo, a ideia de reduzir a maioridade para 16 anos.

— O problema é que a PEC não estava discutindo isso. O PL queria reduzir para 14, o Camilo apresentou para reduzir para 16. Eu acho que a sociedade brasileira inteira é a favor da redução da maioridade para qualquer crime hediondo.

Ainda na pauta de segurança, o petista alegou que as facções brasileiras são “terroristas” para as comunidades em que atuam, e não terroristas “de Estado”. Ao analisar a classificação do CV e do PCC dessa forma pelos Estados Unidos, o candidato à reeleição disse que o país de Donald Trump fez uma interpretação equivocada sobre esses grupos:

— É um ponto que os Estados Unidos não entendem. Quando eles falam em terrorismo, eles falam como se fossem aqueles que atentaram contra as duas torres americanas. Não é o caso do Brasil, onde essas facções só querem dinheiro.

Reforma do STF

Questionado sobre a demora para fazer críticas mais duras ao Supremo Tribunal Federal (STF) depois das revelações do caso Master, Lula aproveitou para defender uma reforma do Judiciário e se contrapor à forma como o bolsonarismo encara a situação.

Renan Santos diz que perigo 'é maior com Flávio', mas descarta apoio a Lula:

— Obviamente que a extrema direita joga a Suprema Corte nas minhas costas porque eles querem caçar o (Alexandre de) Moraes. Não por conta do Banco Master, e sim porque ele prendeu o pai do Flávio Bolsonaro. Essa é a questão que está em jogo — apontou, antes de citar exemplos de relação entre ministros e Daniel Vorcaro para defender um novo "limite ético" aos magistrados.

Ainda a fim de dar uma resposta à insatisfação generalizada com o caso Master, Lula afirmou que a explicação dada a ele pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, sobre por que esteve numa degustação de uísque paga por Vorcaro em Londres "não convenceu". O presidente evitou confirmar se manteria Rodrigues no cargo no eventual novo governo.

Na seara econômica, Lula evitou se comprometer com cortes de gastos e manteve o discurso de que acredita numa economia que faça o dinheiro circular na mão dos mais pobres. Prometeu, por exemplo, manter a valorização real do salário mínimo.

Pesquisa Datafolha divulgada mais cedo mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de votos totais, contra 45% de Lula. Em relação ao levantamento da semana passada, o filho de Jair Bolsonaro oscilou dois pontos para baixo, enquanto o petista se manteve no mesmo patamar.