Poder e Governo
Secretária do Ministério da Justiça pede à PF investigação sobre ameaças de morte e estupro contra deputada eleita do PT
Ana Elisa relatou receber ameaças a cada dois minutos após passar a atuar na campanha de Lula; pasta também pediu providências às plataformas digitais
O Ministério da Justiça e Segurança Pública pediu nesta sexta-feira à Polícia Federal (PF) que investigue ameaças de morte e estupro contra a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG). A solicitação ocorre após a petista denunciar uma série de ataques nas redes sociais, que a levaram a desativar seu perfil no X. Segundo a pasta, a parlamentar eleita relatou receber ameaças a cada dois minutos.
O pedido foi encaminhado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por meio de um ofício assinado pela secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Santana de Carvalho. No documento, o ministério solicita a abertura de um inquérito para identificar os responsáveis pelas ameaças e pede que a corporação cobre das plataformas X e Meta medidas para interromper os ataques.
As ameaças ocorrem em meio à entrada de Ana Elisa na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A deputada eleita participou, na quarta-feira, de uma reunião com o presidente e outras lideranças jovens da esquerda, convocadas para reforçar a atuação digital da campanha no segundo turno.
Na quinta-feira, parlamentares bolsonaristas passaram a divulgar supostas publicações antigas atribuídas à petista, com frases como "odeio branco" e "tô nem aí para empreendedor", eventualmente acompanhadas de risadas e palavrões, em tom descontraído.
— Vou mandar pro TSE (Tribunal Superior Eleitoral), porque fake news é crime eleitoral. Precisamos suspender sua diplomação e de todos que estão publicando esse tipo de conteúdo — disse a petista ao se manifestar sobre as publicações.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) esteve entre os que repercutiram os posts.
No ofício, o Ministério da Justiça afirma que as ameaças estariam relacionadas ao posicionamento político da deputada eleita e sustenta que os ataques podem configurar crime previsto no Código Penal. A pasta também aponta que a legislação atribui à esfera federal a investigação de crimes cometidos pela internet com conteúdo misógino.
"Solicito a Vossa Excelência que adote as providências cabíveis, dentre elas, a abertura de inquérito para investigar a prática desses crimes", diz o documento.
Ana Elisa foi eleita no último domingo com 524.216 votos, a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, atrás apenas de Nikolas Ferreira. Com o resultado, tornou-se a mulher mais votada da história do estado para o cargo e a deputada federal mais jovem já eleita no país.
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