Poder e Governo
Gilmar Mendes critica André Mendonça e defende Paulo Gonet
Decano do STF ressalta que relator expôs injustamente o procurador ao retirar sigilo de conversas sem irregularidades.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou o colega André Mendonça de agir como um “boneco de campanha” e um “pixuleco eleitoral” ao levantar o sigilo de conversas envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em nota, o decano da Corte afirmou que os diálogos não revelavam qualquer conduta ilícita e prestou solidariedade ao chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo Gilmar, Gonet tem “reputação ilibada” e uma trajetória pública marcada pela lisura, reconhecida inclusive por pessoas que discordam de suas posições. Para o ministro, porém, a divulgação das conversas provocou um dano à imagem do procurador-geral que não poderia ser reparado posteriormente.
— Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário — afirmou.
Gilmar mencionou a sessão realizada na terça-feira, quando Mendonça teria reconhecido a correção da conduta de Gonet e admitido que não havia elementos contra o procurador-geral. O decano questionou, então, a decisão de expor as conversas.
— Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável — declarou.
O ministro também criticou a publicação, nas redes sociais, de um vídeo no qual Mendonça agradeceu o apoio recebido. Na avaliação de Gilmar, a manifestação teria evidenciado uma tentativa de obter ganhos políticos com o episódio.
— Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral — disse.
Na nota, Gilmar comparou o caso às práticas adotadas durante a Operação Lava-Jato. O ministro citou o ex-procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz Sergio Moro e afirmou que ambos transformaram o “vazamento seletivo” em método para produzir fatos consumados, influenciar a opinião pública e dificultar o exercício do direito de defesa.
Gilmar também relacionou o momento da retirada do sigilo à proximidade do 7 de Setembro. Para ele, a divulgação teve como objetivo “inflar as ruas”, obter dividendos políticos, atingir reputações e intimidar adversários do método adotado.
— Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato — afirmou.
Ao final, o ministro manifestou “integral solidariedade” a Gonet e declarou que o país e suas instituições são devedores da “coragem, da seriedade e da correção” do procurador-geral.
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