Poder e Governo

Mendonça e Gilmar trocam farpas em julgamento: 'Desfaçatez' e 'Me respeite!'

Confronto no STF marca nova etapa do caso que envolve mensagens de Daniel Vorcaro.

Agência O Globo - 15/09/2026
Mendonça e Gilmar trocam farpas em julgamento: 'Desfaçatez' e 'Me respeite!'
André Mendonça - Foto: © Foto / Nelson Jr./SCO/STF

O julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro e atribuídas a Alexandre de Moraes teve um novo bate-boca nesta terça-feira, desta vez entre André Mendonça e Gilmar Mendes. A discussão subiu de tom após uma manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e levou Flávio Dino a pedir vista do processo em meio ao confronto.

Gonet rebateu questionamentos sobre sua relação com Vorcaro e afirmou não ter mantido proximidade com o banqueiro. O procurador-geral disse ainda que Mendonça havia reconhecido não haver ilicitude nos elementos recolhidos.

— Eu fico feliz que o ministro André Mendonça tenha reconhecido que não tem nada de ilícito no que foi recolhido. Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro se deu com várias autoridades em abril de 2024 — afirmou.

Segundo Gonet, a única outra relação, intermediada por advogados, foi “brevíssima e banal”. Ele também defendeu a atuação do Ministério Público:

— Quem analisa os fatos sem viés verá que o Ministério Público foi preciso e correto.

Na sequência, Mendonça afirmou que seria natural que, olhando para os fatos hoje, Gonet reconhecesse que poderia ter agido de forma diferente em um ou outro episódio. Gilmar então interrompeu o colega, saiu em defesa do procurador-geral e classificou como “leviandade” as ilações feitas contra ele.

— É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do procurador-geral Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto, sim, é leviandade. Isto, sim, é leviandade. Um sujeito com sentimento policialesco. É impressionante a desfaçatez deste sujeito — afirmou Gilmar.

Mendonça reagiu aos gritos:

— A desfaçatez de Vossa Excelência! Me respeite!

O bate-boca prosseguiu. Gilmar afirmou que Mendonça poderia “chorar”, ao que o ministro respondeu que “não teria choro”. Diante da escalada, Dino interveio e anunciou um pedido de vista. Ao justificar a decisão, disse que precisava interromper a discussão e cobrou de Edson Fachin uma atuação para conter o clima de confronto no plenário.

— Há horas, há horas, Vossa Excelência está assistindo a isto. Se Vossa Excelência vai assistir a isto, eu não vou, porque eu sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele — disse Dino.

Dino afirmou ainda que a forma como a sessão vinha sendo conduzida poderia prolongar o embate no Supremo “por semanas, quiçá meses” e atribuiu a Fachin responsabilidade pela situação instalada no plenário.