Poder e Governo
PF diz que Flávio não foi 'apenas terceiro', mas 'interlocutor direto' de Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse
Relatório justificou abertura de inquérito específico para investigar repasses
A Polícia Federal afirmou que o senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, não foi um mero "terceiro", mas um "interlocutor direto" do banqueiro Daniel Vorcaro na negociação sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
"Tais elementos indicam que o Senador FLÁVIO NANTES BOLSONARO não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de DANIEL VORCARO em tratativas relacionadas ao financiamento da produção, inclusive com cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento do andamento das gravações", diz um relatório da PF anexado aos autos do caso Master, cujo sigilo foi retirado na noite desta quinta-feira.
O pedido da PF e um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) levaram o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça a abrir um inquérito específico para investigar Flávio. O procedimento trata da suspeita dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme.
Em declarações anteriores, Flávio nega que houve qualquer irregularidade e diz que apenas pediu dinheiro a Vorcaro para financiar o "projeto privado" do longa em homenagem ao pai.
Uma das provas citadas pela PF seria a conversa de Flávio com Vorcaro ocorrida um dia antes do banqueiro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes praticadas pelo Banco Master.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu o senador ao dono do banco, em 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro seria preso ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai.
Ao concordar com a PF, a PGR pede que os investigadores listem as propostas legislativas do senador do PL para verificar se não há uma "lógica de causa e efeito" nas tratativas sobre o filme. Os investigadores querem saber se houve alguma contrapartida da parte de Flávio ao banqueiro - o que ele nega.
"O apanhado de achados mostra que, efetivamente, as investigações estão no seu momento inicial, carecendo de aprofundamento, igualmente e sobretudo, no que toca à prática de ato típico da função parlamentar que possa ser atribuída, numa lógica de causa e efeito, ao negócio cinematográfico mencionado", diz o pedido da PGR.
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