Poder e Governo

Lula tenta destravar palanque em Goiás; PT aposta em definição nos próximos dias

Presidente recebe vereadora Aava Santiago (PSB) e deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT)

Agência O Globo - 09/07/2026

O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) se reuniu nesta quarta-feira com a vereadora Aava Santiago (PSB) e com a deputada federal Delegada Adriana Accorsi (PT) para tentar destravar o palanque que terá na sua campanha à reeleição em Goiás, um dos últimos estados em que ainda não há essa definição da chapa majoritária.

O vice-presidente e o presidente do PT, Edinho Silva, também acompanharam o encontro, que ocorreu no Palácio do Planalto e durou cerca de duas horas. Durante a reunião, segundo relatos, o presidente sinalizou que gostaria que Aava fosse candidata ao Senado e Adriana, ao governo — as duas hoje são pré-candidatas a uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Apesar de não ter havido uma definição, o PT deve realizar uma pesquisa de intenção de votos para testar os nomes das duas lideranças, e integrantes da sigla acreditam em um desfecho até a próxima semana.

Aava afirmou que o presidente da República “externou que a vontade dele é que Adriana Accorsi e eu tivéssemos no palanque majoritário”. Apesar de em nenhum momento ter convidado ela diretamente para essa disputa, declarou que “esse seria o palanque que ele considera ideal”.

— Ele fez questão de repetir que nunca nos pressionaria. Que era para a gente pensar sobre isso, para refletir, que não precisávamos dar nenhuma resposta hoje. Mas que, assim que decidíssemos pela construção desse lugar, que é o almejado por ele, ele nos daria todas as ferramentas para ocupá-lo — afirmou.

Segundo a vereadora, Lula deixou claro que a decisão caberia às duas lideranças. Ele também “acolheu com muita ternura e entusiasmo” a fala dela sobre o desejo de construir uma candidatura à Câmara e ajudar o seu partido, o PSB, a eleger parlamentares no estado.

Ava acrescentou que Lula se comprometeu a entregar uma pesquisa que demonstrasse a viabilidade do nome delas na chapa majoritária “e a refletir sobre o que eu disse”. Ela mantém o desejo de concorrer à Câmara.

— Saí de lá muito tranquila de que a minha decisão de disputar uma cadeira em Brasília, na Câmara dos Deputados, vai ser muito respeitada, mas que, mesmo com essa decisão, o presidente Lula continuará tratando o nosso trabalho à frente do PSB como central para a construção do campo dele — continuou.

Em 2022, Aava declarou apoio a Lula e integrou a equipe da transição de governo. Ela era do PSDB, mas deixou a sigla. Evangélica, é considerada uma liderança que pode aproximar Lula e o seu governo do segmento religioso.

Uma fonte próxima às conversas avaliou o encontro como muito positivo, apesar da ausência de uma definição claro e de ambas terem expresso o desejo de concorrer à Câmara.

Mesmo assim, um membro do PT revela que estão confiantes de que Lula conseguiu, com essa reunião, sensibilizar as duas políticas. O presidente reforçou que não iria pressioná-las, mas destacou a importância dessa chapa em Goiás, lembrando o fato de serem duas lideranças jovens que representam o segmento feminino no estado.

Em postagem nas redes sociais, Edinho Silva declarou que discutiram sobre "o nosso projeto para Goiás, por um estado mais forte, mais justo e mais inclusivo".

Além de Goiás, o presidente Lula ainda precisa definir o palanque em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Apesar da decisão de ter uma candidatura própria do PT, a principal cotada para encabeçar a chapa, Marília Campos, rejeitou essa possibilidade e manteve sua pré-candidatura ao Senado.

O plano A do petista era lançar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco. No entanto, ele resistiu e, após meses de conversas, anunciou que deve deixar a vida pública ao final deste ano, quando encerrará seu mandato no Senado.