Poder e Governo
Após elogiar programa de Lula e ser alvo na direita, Michelle Bolsonaro diz que pauta de surdos está acima de ideologia
Ex-primeira-dama afirma que o projeto foi 'elaborado e apresentado' durante a gestão de Jair Bolsonaro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reagiu neste sábado às críticas da base bolsonarista pelo elogio da ex-presidente do PL Mulher a uma conquista da comunidade surda por meio de programa lançado pelo governo Lula. A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos é uma iniciativa do Ministério da Educação e visa ampliar o acesso, a permanência e melhorar a aprendizagem de estudantes com deficiência auditiva.
Decisão do STF:
'Não é IA':
"Sempre fui uma defensora das pessoas com deficiência. Essa é a pauta do meu coração e ela está acima de qualquer ideologia ou partido", disse Michelle, que afirma que o projeto foi "elaborado e apresentado" durante a gestão de Jair Bolsonaro.
A ex-primeira-dama lamenta que a política tenha sido lançada apenas no governo seguinte.
"A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos — lançada hoje — foi elaborada e apresentada em nosso governo, fruto do nosso carinho e cuidado para com a Comunidade Surda. Infelizmente, uma ação judicial atrasou a tramitação e não foi possível entregá-la antes do fim do nosso governo", afirmou.
A primeira publicação provocou uma onda de críticas à Michelle, que foi acusada de traição pela base bolsonarista. O debate ocorre em meio ao conflito entre a ex-primeira-dama e os filhos de Jair Bolsonaro, que escalou nas últimas semanas.
Ataque nas redes
A escalada da crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro provocou uma frente de ataques ao grupo da ex-primeira-dama no campo da direita. É o que mostram os dados. Desde 27 de junho, três dias após Michelle publicar vídeos em que acusa o enteado de tê-la maltratado, um terço das 300 mil menções nas redes à mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro trazia críticas a ela.
O levantamento mostra que, em um primeiro momento, após a divulgação de vídeos de Michelle com críticas a Flávio, a acusação de traição não conseguiu emplacar nas redes sociais. Com a repercussão da fala da ex-presidente do PL Mulher entre a esquerda e independentes, a tese bolsonarista ficou escanteada, e nomes da direita como o senador Cleitinho (Republicanos-MG) chegaram a defender a ex-primeira-dama.
As críticas do bolsonarismo à mulher de Jair Bolsonaro ganharam força no fim de semana passado e se ampliaram nos últimos dias, com a saída de Michelle da presidência do PL Mulher. Entre os nomes que optaram por atacá-la ou defender Flávio estão o blogueiro Allan dos Santos, o influenciador Paulo Figueiredo e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF).
— Os dados mostram que a direita se sente autorizada a atacar Michelle. As publicações do campo bolsonarista trazem, sobretudo, críticas à ex-primeira-dama e a aliadas, que acabam se prejudicando no segmento — afirma André Eler, diretor técnico da Bites.
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