Poder e Governo
PF aponta suspeita de que Sóstenes usou verba da Câmara para pagar carro usado por filha
O parlamentar foi alvo na quarta-feira de uma nova fase da Operação Rent a Car, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos.
A Polícia Federal investiga se o líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante (RJ), utilizou recursos da cota parlamentar para custear o aluguel de um veículo usado por sua filha. O parlamentar foi alvo na quarta-feira de uma nova fase da Operação Rent a Car, que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos.
Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF afirma que, em março de 2024, um dos assessores de Sóstenes ofereceu a ele um carro para aluguel e o veículo foi entregue na residência do deputado. Os registros analisados indicam que o automóvel era utilizado pela filha do parlamentar.
Para a PF, há elementos que indicam que o aluguel do automóvel, um Corolla Cross, foi pago com recursos da verba parlamentar destinada ao exercício do mandato.
Procurado por meio de sua assessoria e imprensa, o deputado não comentou sobre as suspeitas apontadas pela PF relacionadas ao carro ter sido usado pela filha.
A investigação também apura a origem de R$ 468,7 mil em espécie apreendidos com o parlamentar durante uma das fases da operação realizada em dezembro do ano passado. Na ocasião, o deputado afirmou que o dinheiro era referente à venda de um imóvel em Ituiutaba (MG). A PF, porém, aponta contradições na versão apresentada.
De acordo com a investigação, duas empresas de construção e dois irmãos estão vinculados ao dinheiro. A PF chegou até a rede, alvo de operação nesta quarta, a partir das etiquetas bancárias apreendidas com o dinheiro.
Durante as apurações, investigadores identificaram uma "complexa movimentação financeira" entre as empresas, "com recebimento de verbas públicas e expressivos saques em espécie".
Em entrevista, o parlamentar negou irregularidades e manteve a versão de que o dinheiro é fruto da venda do imóvel.
— Uma dessas pessoas (alvos da operação) foi o comprador do imóvel (a que ele atribui o dinheiro em espécie). Nenhum dos alvos é meu advogado. Podem fazer operação à vontade, quem não deve não teme — afirmou o parlamentar.
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