Poder e Governo
PF investiga teia de empresas ligadas a R$ 468 mil em dinheiro vivo apreendido com Sóstenes e aponta contradição de parlamentar
Investigadores chegaram à rede alvo de operação nesta quarta a partir das etiquetas bancárias apreendidas com o dinheiro localizado em poder de Sóstenes
A Polícia Federal (PF) investiga uma teia de empresas e pessoas ligadas a R$ 468 mil apreendidos no ano passado em um endereço do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e suspeitas de desvio de recursos de cota parlamentar. A investigação aponta contradições na versão apresentada pelo parlamentar, que atribuiu o montante à venda de um apartamento.
De acordo com a investigação, duas empresas de construção e dois irmãos estão ligados ao dinheiro. A PF chegou até a rede, alvo de operação nesta quarta, a partir das etiquetas bancárias apreendidas com o dinheiro localizado em poder de Sóstenes.
Durante as apurações, o pesquisador identificou uma "transferência financeira complexa" entre as empresas, "com coleta de verbas públicas e saques expressivos em espécie".
Quando a PF apreendeu o dinheiro vivo com o ex-líder do PL na Câmara, os agentes decidiram seguir duas linhas investigativas: rastrear as etiquetas dos valores e verificar a versão do deputado, de que os valores estariam relacionados à venda de uma casa.
A PF diz que não foi possível, em um primeiro momento, encontrar "relação aparente" dos registros do dinheiro e Sóstenes, tampouco com pessoas relacionadas à suposta venda de imóveis em Minas Gerais. Por outro lado, chegou à transferência financeira envolvida na rede agora sob suspeita.
Assim, o primeiro caminho da investigação levou a PF a identificar o que chamou de "complexo arranjo de sociedades empresariais, caracterizado por saques vultosos e uma movimentação financeira de alta complexidade". Segundo a PF, a engenharia financeira do grupo manifestou suspeitas sobre uma tentativa de ocultação da origem do dinheiro.
Então, a corporação pediu as novas diligências, realizadas nesta quarta, para "desvendar a real especificamente" do grupo e verificar se o dinheiro apreendido com Sóstenes é fruto de saques transferidos por esta rede.
Suspeitas
As empresas sob investigação, 'Ejus Empreendimentos Imobiliários' e Foco Engenharia e Incorporações, se dizem especializadas em construção de edifícios e são administradas por uma outra companhia, registrada em nome de um dos irmãos sob suspeitas da PF. Ambas são registradas no mesmo endereço, mas em salas comerciais diferentes. Ainda de acordo com o investigador, a Ejus não tem nenhum funcionário formalmente registrado, nem veículos registrados em seu nome.
Já ao analisar a ficha dos irmãos, a PF apurou que um deles, Jonas Umbelino, é um empresário "com vasta rede de pessoas jurídicas em seu nome, notadamente nos ramos de construção civil e empreendimentos imobiliários, formando estrutura empresarial complexa e ramificada" da qual a Ejus e o Foco fazem parte. Segundo a PF, sua irmã, Jecy, atua na gestão das operações financeiras do grupo empresarial.
Um relatório das movimentações financeiras das empresas negociações com dinheiro em espécie: 22 saques totalizando R$ 4,7 milhões. Já ao analisar todo o grupo empresarial de Jonas e Jecy, o pesquisador chegou a um total de 81 saques em espécie, no valor de R$ 15.542.386,00, todos realizados por um dos dois irmãos.
Na avaliação do investigador, o padrão das retiradas milionárias em espécie, a proximidade dos dados das operações e a identidade dos sacadores "reforçam o grau de suspeita sobre a dinâmica financeira do grupo".
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