Poder e Governo
Advogado de ex-presidente do BRB classifica prisão como 'exagerada' e 'desnecessária'
Defesa de Paulo Henrique Costa afirma que não há elementos para justificar prisão e nega envolvimento em esquema de propina investigado pela Polícia Federal.
O advogado Cléber Lopes, representante do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, afirmou nesta quinta-feira (data não informada) que considera a prisão de seu cliente "absolutamente desnecessária" e um "exagero". Lopes destacou que, até o momento, a estratégia de defesa não será alterada diante das novas acusações.
— Se eu estou considerando que é um exagero (a prisão), eu permaneço como estava antes. Continuo convencido. A defesa continua firme na convicção de que Paulo Henrique Costa não praticou crime nenhum — declarou o advogado.
Segundo Lopes, Costa "não representa nenhum perigo" para a investigação do chamado escândalo Master. Ele ressaltou que o ex-presidente do BRB permaneceu em liberdade desde a primeira fase da Operação Compliance Zero, realizada em dezembro do ano passado.
— Não há notícia de que Paulo Henrique tenha praticado qualquer ato que pudesse atentar contra a instrução criminal ou a ordem pública — reforçou o defensor.
Ao ser questionado sobre a suspeita de acerto de propina de R$ 146,5 milhões ao ex-presidente do BRB, supostamente envolvendo imóveis de luxo, Lopes afirmou "não considerar a hipótese como válida".
Paulo Henrique Costa foi o principal alvo da quarta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta manhã, sob suspeita de integrar um "esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos". A ação também envolveu o advogado Daniel Monteiro, apontado como homem de confiança do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com o inquérito policial, fundos da gestora Reag teriam sido utilizados por Daniel Vorcaro para viabilizar a compra de imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões, que serviriam como propina para Paulo Henrique Costa.
A investigação menciona seis imóveis ligados ao chamado “cronograma pessoal” de Paulo Henrique: Heritage, Arbórea, One Sixty, Casa Lafer, Ennius Muniz e Valle dos Ipês. Dos R$ 146,5 milhões, R$ 74 milhões teriam sido efetivamente pagos em propina.
A operação foi interrompida durante sua execução após o proprietário do Banco Master tomar conhecimento da investigação, devido ao vazamento de um procedimento sigiloso.
Para operacionalizar o pagamento das vantagens indevidas, teriam sido utilizados fundos de investimento geridos pela Reag e empresas de fachada, segundo a apuração.
A Polícia Federal aponta que essas empresas de "prateleira" eram administradas pelo cunhado de Daniel Monteiro e funcionavam como "veículos específicos para recepção de recursos dos fundos ligados à Reag e posterior aquisição dos imóveis", conforme os investigadores.
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