Poder e Governo
Cotado para vice de Flávio, Zema intensifica agenda em reduto bolsonarista para crescer nas pesquisas
Pré-candidato do Novo aposta em Santa Catarina, estado com forte eleitorado de direita, mas impacto eleitoral é limitado
O pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo, Romeu Zema, visto como possível vice em uma chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), iniciou por Santa Catarina uma ofensiva estratégica para tentar avançar nas pesquisas eleitorais.
A escolha do estado é considerada estratégica pela equipe de campanha, que avalia Santa Catarina como um dos principais redutos eleitorais da direita no país. No segundo turno de 2022, cerca de 69% dos votos catarinenses foram destinados a Jair Bolsonaro (PL), evidenciando o perfil conservador do eleitorado local.
Zema, no entanto, nega ter recebido convite para compor como vice e reforça que segue como pré-candidato ao Palácio do Planalto.
A agenda em Santa Catarina, iniciada na segunda-feira e prevista para se estender até esta terça, marca o começo de uma série de visitas em estados considerados favoráveis ao crescimento do Novo. Os compromissos do ex-governador de Minas Gerais incluem encontros com empresários, lideranças locais e apoiadores em cidades como São Miguel do Oeste, Chapecó e Campos Novos, no oeste catarinense.
De acordo com integrantes da campanha, a aposta é fortalecer a imagem de Zema onde ele já possui alguma base de apoio. “É mais fácil crescer onde já temos base do que em regiões onde ainda somos pouco conhecidos”, avaliou um interlocutor da equipe. A meta é alcançar entre 10% e 12% das intenções de voto, superando a barreira de um dígito nas pesquisas e tornando o pré-candidato mais competitivo no cenário nacional.
Apesar da aposta no estado, o potencial de impacto eleitoral é considerado restrito. Santa Catarina possui cerca de 5 milhões de eleitores, número significativamente menor que o de Minas Gerais, reduto original de Zema. Isoladamente, o estado não seria suficiente para impulsioná-lo a dois dígitos nas pesquisas nacionais.
Segundo avaliação da campanha, o avanço no Sul pode ajudar a dar visibilidade à candidatura, mas o desafio de atingir competitividade nacional depende da expansão para outras regiões do país. Além disso, Zema disputa votos com nomes fortemente associados ao bolsonarismo, como o próprio Flávio Bolsonaro, o que pode fragmentar o eleitorado de direita.
Romeu Zema deixou o cargo de governador de Minas Gerais no final de março para cumprir as regras de desincompatibilização e viabilizar sua candidatura à Presidência.
Durante a passagem por Santa Catarina, o pré-candidato tem buscado reforçar pautas caras ao eleitorado local, como segurança pública. Em publicações nas redes sociais, Zema divulgou um vídeo em que cumprimenta policiais nas ruas de Chapecó. “A caminho da estrada vi esses policiais e fiz questão de parabenizá-los pelo trabalho em Santa Catarina”, escreveu.
No vídeo, ele destaca desafios específicos do estado, como a proximidade com a fronteira internacional, referindo-se à divisa com a Argentina, uma realidade diferente de Minas Gerais. Zema também tem feito elogios ao desempenho catarinense em áreas como desenvolvimento econômico e geração de empregos. “É um estado que realmente é um orgulho para o Brasil”, afirmou.
A estratégia faz parte de um movimento de intensificação da agenda nacional, priorizando estados considerados vitrines de gestão, com bons indicadores e ambiente político mais receptivo ao perfil de Zema.
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