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Um mês após morte de 'Sicário' de Vorcaro, PF aguarda exames para concluir inquérito

Polícia Federal ainda busca identificar interlocutor de ligação feita por Luiz Phillipi Mourão após a prisão. Dois laudos cruciais seguem pendentes para fechar a investigação.

Agência O Globo - 06/04/2026
Um mês após morte de 'Sicário' de Vorcaro, PF aguarda exames para concluir inquérito
Sicário - Foto: Reprodução

Um mês após a morte do empresário Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário" e apontado como operador do banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal (PF) aguarda a conclusão de dois exames fundamentais para encerrar o inquérito. Mourão morreu na carceragem da PF em Belo Horizonte, após supostamente tentar tirar a própria vida, e a investigação indica que a causa foi a falta de oxigenação cerebral.

Durante este período, cinco perícias foram realizadas e pelo menos cinco pessoas que mantiveram contato pessoal ou telefônico com Mourão foram ouvidas. A expectativa é de que as conclusões do inquérito sejam encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda neste mês.

Três laudos já foram finalizados pela perícia da PF: um sobre o local do crime, outro sobre as roupas utilizadas pelo preso e um terceiro sobre o celular fornecido para que ele pudesse se comunicar com familiares, direito previsto pela Constituição para presos provisórios.

No laudo do celular, a PF identificou que Mourão tentou ligar diversas vezes para a mãe, a irmã e uma terceira pessoa ainda não identificada. A corporação segue tentando descobrir quem é esse contato. A análise das roupas não apontou vestígios de drogas.

As imagens das câmeras de segurança da carceragem mostram que Mourão estava sozinho na cela e foi atendido prontamente pelos agentes responsáveis pela custódia.

Restam ainda dois exames considerados decisivos para a conclusão do caso: o laudo toxicológico, que analisa sangue e urina do preso, e o laudo necroscópico, que determina a causa da morte e verifica possíveis sinais de agressão. Ambos estão sob responsabilidade do Instituto Médico Legal (IML), vinculado à Polícia Civil de Minas Gerais.

Segundo a PF, os médicos legistas solicitaram, na semana passada, o compartilhamento das imagens do circuito interno da carceragem para finalizar o laudo necroscópico. A decisão sobre essa liberação cabe ao ministro André Mendonça, do STF.

Cronologia da prisão até a morte

Por volta das 6h do dia 4 de março, agentes da Polícia Federal cumpriram mandado de prisão preventiva e de busca e apreensão contra Mourão, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes de fraude financeira, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

Na residência, Mourão foi preso e teve equipamentos eletrônicos, documentos, relógios de luxo, joias e uma pistola sem registro apreendidos. Caso estivesse vivo, responderia também por porte ilegal de arma de fogo.

Às 9h, ele foi conduzido à cela 2 do terceiro andar da superintendência da PF em Belo Horizonte, passando por revista completa, incluindo a retirada de cinto, relógio e cadarços.

Por volta de 12h, Mourão foi levado para interrogatório, permanecendo cerca de duas horas. Na cela, demonstrou inquietação e, por volta das 15h20, tentou suicídio.

Aproximadamente dez minutos depois, os agentes perceberam o ocorrido e iniciaram procedimentos de reanimação. O Samu foi acionado e chegou por volta das 16h15.

Mourão foi encaminhado ao Hospital João XXIII, onde foi internado às 17h56. Dois dias depois, a defesa confirmou sua morte após a constatação de morte encefálica.

A defesa de Mourão preferiu não se manifestar oficialmente. Nos bastidores, advogados e familiares aguardam o desfecho do inquérito da PF para decidir se solicitarão uma investigação paralela ou eventual ação indenizatória contra o Estado.