Poder e Governo
Lula já trata Pacheco como candidato ao governo de Minas, e senador negocia trocar PSD pelo MDB
Presidente considera candidatura de Pacheco quase certa, mas aliados do senador apontam cenário indefinido e avaliam que mudança de partido pode não estar atrelada à disputa eleitoral.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sinalizado a aliados, em conversas reservadas nas últimas semanas, que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) será seu candidato ao governo de Minas Gerais em 2026. No Palácio do Planalto, Lula já trata o cenário como praticamente definido. No entanto, Pacheco e seus aliados em Minas Gerais afirmam que ainda não há decisão formal sobre a candidatura e classificam o quadro estadual como "em construção". O MDB, por sua vez, mantém o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo, como pré-candidato ao governo.
Fontes do Planalto ouvidas pela reportagem relatam que Lula passou a apresentar Pacheco como a solução política para Minas, vendo sua candidatura como o caminho mais provável para unificar o campo governista e montar um palanque forte contra o grupo do governador Romeu Zema (Novo) e o bolsonarismo. Segundo o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, para Lula, o senador já teria dado aval ao plano. Procurado, Pacheco não comentou.
Aliados do senador reforçam, contudo, que Pacheco segue em negociações políticas sem assumir compromisso eleitoral. Parte dessas conversas envolve uma possível filiação ao MDB, mas a migração depende de articulações previstas para as próximas semanas, após o retorno de Lula da Ásia.
O União Brasil foi cogitado como alternativa partidária, mas perdeu força devido a entraves relacionados à federação com o PP e resistências internas. O PP, atualmente, tem como principal liderança em Minas o secretário de Governo da gestão Zema, Marcelo Aro, o que dificultou o espaço para Pacheco.
No MDB, as conversas giram em torno da entrada de Pacheco e de seu grupo político na sigla, mas sem necessariamente atrelar a filiação a uma candidatura ao governo estadual. Interlocutores afirmam que o senador tem dito a dirigentes do partido que não pretende disputar cargo eletivo neste momento, usando a hipótese de candidatura como instrumento de articulação política enquanto reorganiza suas alianças em Minas.
Relatos apontam que Pacheco conversou ao menos três vezes com aliados e dirigentes partidários antes do carnaval, manifestando interesse em ingressar no MDB.
Participam das negociações o presidente estadual do MDB, Newton Cardoso Júnior, o deputado estadual João Magalhães e o próprio Gabriel Azevedo, que, além de pré-candidato ao governo mineiro, atua como interlocutor de Pacheco junto à direção do partido. A expectativa é de que novas reuniões presenciais ocorram em Brasília nas próximas semanas para avançar na articulação política.
— Em Minas temos o Gabriel Azevedo como pré-candidato a governador. Até agora não houve conversas com ele nem com o presidente estadual Newton Cardoso sobre qualquer mudança nesse cenário — afirmou o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi.
Pelo desenho discutido no MDB, Pacheco poderia ingressar na sigla apoiando a candidatura de Gabriel Azevedo ao Palácio Tiradentes. O ex-vereador busca construir uma candidatura de frente ampla contra o vice-governador Mateus Simões (PSD), aliado de Zema, e o bolsonarismo. Azevedo, porém, resiste a um alinhamento direto com Lula, ponto visto como obstáculo pelo Planalto.
A negociação também envolve a possível chegada de aliados e parlamentares próximos a Pacheco, como os deputados federais Igor Timo (PSD-MG) e Luís Fernando Faria (PSD-MG), além de outras lideranças regionais.
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