Poder e Governo

Marina Silva discute com PT candidatura ao Senado por São Paulo

Ministra também já conversou com a presidente do PSOL e afirma estar 'muito honrada' pela procura de 'diversos partidos'

Agência O Globo - 30/01/2026
Marina Silva discute com PT candidatura ao Senado por São Paulo
Marina Silva - Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), confirmou que pode disputar uma vaga ao Senado Federal por São Paulo nas eleições deste ano. Segundo ela, está "disposta" a participar de uma construção eleitoral no estado que a "recolocou na cena política", além de relatar que vem sendo procurada por "vários partidos". A decisão final, porém, será tomada após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Conversa com partidos

Em entrevista à Rede TV nesta quinta-feira, Marina afirmou: — Eu me vejo no desenho da construção para o Senado. São Paulo ajudou a salvar a minha vida biológica e me recolocou na cena política de uma forma incrível, quando eu nem queria mais ser candidata. E, agora, estou disposta a fazer essa construção.

A ministra revelou que avalia sair da Rede Sustentabilidade e destacou sentir-se "muito honrada" com o interesse de outras legendas "do campo democrático popular, com compromisso com a democracia". Conforme reportagem do GLOBO, interlocutores do PT já confirmaram conversas entre o partido e Marina.

— Estou dialogando com o PT, sim, e tive uma primeira conversa muito boa com o Edinho (Silva, presidente da sigla). Uma conversa já aconteceu com a presidente do PSOL, Paula Coradi. Tem pedidos de conversa do PSB, do PV, de vários partidos. Uma análise está sendo feita — relatou.

Arranjos políticos e cenário eleitoral

Marina explicou que o objetivo é formar um arranjo político capaz de beneficiar Lula nas eleições presidenciais em São Paulo. Paralelamente, o PT já realiza pesquisas para avaliar a viabilidade eleitoral da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), para uma possível disputa ao Senado pelo estado.

Ela também mencionou a possível candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad: — Muita gente diz: "estão pressionando o Haddad". Eu não vejo como pressão. Vejo como reconhecimento da liderança que ele é, da importância que ele tem. Ele levou para o segundo turno uma eleição difícil (2022) em São Paulo que foi fundamental para a vitória do Lula. A liderança dele é de novo decisiva.

Nesta quinta-feira, Marina reforçou: "todos os melhores quadros têm que vestir a camisa e fazer aquilo que melhor sabem fazer na disputa", ao que o ministro reagiu: "estou comemorando a Gleisi ter me elogiado".

Condições para candidatura de Marina

Eleita deputada federal em 2022, Marina descarta disputar uma vaga na Câmara este ano. O GLOBO apurou ser “pouco provável” que ela vá às urnas caso Haddad também seja candidato ao Senado, em vez de disputar o governo.

Assim, a avaliação no PT é que, até a definição final do ministro da Fazenda, o cenário sobre uma candidatura da ambientalista permanece aberto. O partido deseja repetir em São Paulo a estratégia aplicada no Paraná, com uma ministra na corrida pelo Senado para fortalecer a presença da sigla no Legislativo e a reeleição do presidente Lula.

A saída de Marina da Rede está prevista para os primeiros meses deste ano. Aliados da ministra publicaram, em dezembro, um manifesto contra a direção nacional da sigla, criticando mudanças no estatuto partidário e alegando perseguição interna à ambientalista.

A relação entre Marina e a Rede se deteriorou em abril do ano passado, após a derrota do candidato apoiado por ela para o nome defendido pela deputada federal Heloísa Helena, rompida com Marina desde 2022.

Enquanto Marina se define como “sustentabilista” e integra a gestão Lula como ministra do Meio Ambiente, Heloísa se posiciona como oposição ao Planalto e defende o “ecossocialismo”, corrente que associa a preservação ambiental à mudança do sistema econômico.

(Colaborou Luís Felipe Azevedo)