Poder e Governo
Lula reúne rivais históricos em Alagoas em meio à indefinição eleitoral
Adversários Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP) estarão na agenda; prefeito de Maceió, JHC (PL), também deve comparecer
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca nesta sexta-feira em Alagoas para uma agenda que deve reunir grupos políticos rivais, mas aliados do governo federal. Lula visitará a sede da Embrapa Alimentos e Territórios, em Maceió, e participará da assinatura de contrato para a construção de 2 milhões de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida.
O evento habitacional deve colocar no mesmo palco adversários históricos no estado, como o senador Renan Calheiros (MDB) e o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Ambos articulam candidaturas ao Senado com o apoio de Lula, embora evitem dividir palanque localmente.
Também são esperados na agenda o ministro dos Transportes, Renan Filho, que pode deixar o cargo para disputar novamente o governo estadual, e o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas (PL), o JHC, cotado para concorrer ao Palácio República dos Palmares.
A possível candidatura de JHC ainda é incerta, pois representaria o rompimento de um acordo político firmado no ano passado, quando o prefeito se aproximou de Lula durante as negociações para a indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Embora neguem publicamente, aliados de Lula e dos Calheiros afirmam que havia um compromisso para JHC não disputar o governo estadual, o que favoreceria Renan Filho. O acordo também previa a saída de JHC do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Renan Filho, ex-governador por dois mandatos, aparece empatado com JHC em pesquisas recentes. Ainda filiado ao PL, o prefeito é aliado de Lira no cenário local, mas essa parceria também enfrenta incertezas, já que JHC pode disputar o Senado, o que prejudicaria Lira, atualmente em segundo lugar nas sondagens, atrás de Renan Calheiros.
Outra possibilidade discutida nos bastidores é a candidatura da esposa de JHC, Marina Candia. Segundo pesquisa do Paraná Pesquisas divulgada em dezembro, a primeira-dama tem 39% das intenções de voto, contra 49% de Renan Calheiros e 45% de Arthur Lira (cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado neste ano).
Aliados relatam que JHC vem sendo pressionado a cumprir o suposto acordo. Em dezembro, sua mãe, a senadora Doutora Eudócia (PL-AL), votou a favor do projeto de lei da dosimetria, que reduz penas de condenados pela trama golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para o grupo político dos Calheiros, o cenário mais favorável seria JHC disputar o Senado, o que enfraqueceria Lira na disputa estadual. JHC e Renan Calheiros se encontraram recentemente em reunião reservada em Barra de São Miguel, tradicional balneário de Alagoas. Conforme noticiado pelo colunista Lauro Jardim, o ex-ministro José Dirceu intermediou o encontro, reforçando o pedido para que JHC cumpra o acordo e não concorra ao governo.
Dirceu esteve em Alagoas na semana passada e também conversou com JHC. O prefeito, entretanto, ainda não teria definido seu futuro político.
Nos bastidores, uma fonte relata que Lira manifestou à ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, no fim de 2023, seu desconforto com uma possível candidatura de JHC ao Senado. Publicamente, porém, Lira nega qualquer pedido ao prefeito, a quem considera parte de seu grupo político.
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