Poder e Governo
Itamaraty minimiza contato de Cláudio Castro com governo Trump após carta de apoio à operação no Rio
Documento de agência dos EUA manifesta apoio ao chefe do Executivo fluminense, mas é visto como gesto protocolar
O Itamaraty minimizou nesta quinta-feira a relevância dos contatos recentes entre o governo do Rio de Janeiro e autoridades americanas ligadas à administração de Donald Trump, após a divulgação de uma carta enviada pela Agência de Combate às Drogas (DEA, na sigla em inglês) lamentando a morte de quatro policiais em operação nos complexos do Alemão e da Penha, na semana passada.
Diplomatas ouvidos pelo GLOBO ressaltaram que o documento não partiu de instâncias de alto escalão do governo americano — como o Departamento de Estado ou a Casa Branca —, mas de um agente da DEA lotado no consulado-geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. A avaliação é que se trata de uma manifestação protocolar, sem caráter político.
A carta, assinada por James Sparks, chefe da DEA no Rio, foi encaminhada ao secretário de Segurança Pública do Estado, Victor Santos, e elogiava a “coragem” dos policiais mortos, oferecendo “qualquer apoio que se faça necessário”. O gesto, segundo diplomatas brasileiros, não representa um posicionamento formal de Washington, tampouco uma tentativa de capitalização política por parte de autoridades americanas.
Mesmo a embaixada dos Estados Unidos em Brasília manteve silêncio sobre o episódio, o que, na avaliação de integrantes do governo brasileiro, reforça o entendimento de que o caso não tem peso diplomático. O fato de não haver manifestações mais enfáticas ou críticas indiretas ao governo federal é visto, nos bastidores, como sinal de que as tensões recentes entre os dois países arrefeceram.
Segundo a colunista Malu Gaspar, o governador Cláudio Castro tem articulado há pelo menos seis meses com o governo de Donald Trump para que os EUA declarem o Comando Vermelho uma organização narcoterrorista, o que permitiria aplicar sanções previstas para esse tipo de grupo. O governo Lula, contudo, se opõe à iniciativa por temer que a medida abra brechas para sanções econômicas ao Brasil ou para ações americanas mais invasivas sob o pretexto de combate ao narcoterrorismo.
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