Internacional
Flash de raios X recorde revela origem de ouro cósmico
Fusões de estrelas de nêutrons e a formação de elementos pesados são tema de pesquisa
Cientistas acreditam ter identificado a origem de misteriosos flashes de raios X de longa duração, fusões de estrelas de nêutrons capazes de forjar ouro e outros elementos pesados. Um evento detectado a 6 bilhões de anos-luz exibiu a mais longa emissão inicial de raios X já registrada nesse tipo de colisão.
Astrônomos investigam a origem de misteriosos flashes de raios X e acreditam ter encontrado evidências de que alguns deles são produzidos pela colisão de estrelas de nêutrons, eventos extremos no Universo que são responsáveis pela formação de elementos pesados como ouro, prata e platina.
O caso mais recente envolve o fenômeno denominado EP250704a, detectado em 4 de julho de 2025, que começou como uma explosão de raios gama com duração de meio segundo e foi seguido por uma intensa emissão de raios X que persistiu por cerca de dez minutos. Após o alerta emitido pela sonda Einstein, pesquisadores iniciaram uma campanha de observação com telescópios como o Telescópio Muito Grande (VLT, na sigla em inglês) e a rede de radiotelescópios VLA.

Segundo a equipe, o sinal apresentou características inéditas. O astrônomo Niccolò Passaleva afirmou que se trata do flash inicial de raios X mais duradouro já registrado em uma fusão de estrelas de nêutrons, oferecendo uma oportunidade rara de estudar alguns dos fenômenos mais extremos do Universo.

Estrelas de nêutrons se formam após a morte explosiva de estrelas massivas e, apesar de concentrarem massa comparável à do Sol em um volume semelhante ao de uma cidade, elas permanecem estáveis graças à extrema densidade de sua matéria. Quando duas dessas estrelas colidem, surgem condições capazes de produzir elementos químicos mais pesados do que aqueles formados nos núcleos estelares.
Tradicionalmente, fusões desse tipo eram associadas a kilonovas acompanhadas por breves explosões de raios gama que duram menos de dois segundos. No entanto, observações recentes indicam que alguns desses eventos podem produzir flashes de raios X que se prolongam por vários minutos, desafiando as explicações convencionais como o EP250704a.
Os pesquisadores suspeitam que a chave para entender essas emissões esteja na presença de um magnetar, um tipo raro de estrela de nêutrons que possui rotação extremamente rápida e um campo magnético colossal, considerado o mais intenso do Universo. A liberação dessa energia magnética poderia tornar a explosão mais brilhante e duradoura. A hipótese é que pelo menos um dos objetos envolvidos na fusão fosse um magnetar.
De acordo com a astrofísica Eleonora Troja, caso o remanescente da colisão mantenha essas características, ele pode continuar alimentando emissões energéticas por períodos muito mais longos do que os observados em fusões convencionais.
A equipe descartou a possibilidade de que o fenômeno tenha sido causado por uma supernova e concluiu que sua luz viajou cerca de 6 bilhões de anos até chegar à Terra. Os cientistas esperam que a descoberta de novos flashes extremos de raios X ajude a esclarecer com que frequência magnetares são formados em fusões de estrelas de nêutrons e qual é seu papel nesses eventos cósmicos.
Mais lidas
-
1A CONTA NÃO FECHA
Pastor em Delmiro, salário em Maceió: folha aponta jornada de 40 horas a 290 km de distância na prefeitura de JHC/Cunha
-
2POLÍTICA
Lista dos deputados federais eleitos no Rio de Janeiro (RJ)
-
3RODOVIAS
Obras da ponte entre Penedo (AL) e Neópolis (SE) avançam e ultrapassam 60% de execução
-
4BATE-ESTACA
Quem sai de 'A fazenda' hoje? Ariela, Renê e Thaíde estão na roça, e disputa fica entre os homens, diz enquete
-
5POLÍTICA
Memes não se tornam votos: Menina da Bota, Caneta Azul e Inês Brasil têm pouco mais de 20 mil e não se elegem