Internacional
Espanha critica Itália por reação a crise em Ceuta: 'Não esteve à altura'
Ministro afirmou que Roma 'não é capaz' de resolver situação em Lampedusa
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou nesta segunda-feira (3) que a Itália não reagiu "à altura" após a crise migratória em Ceuta, exclave do país ibérico no norte da África.
A declaração foi dada em entrevista à emissora pública TVE, na esteira da decisão de Roma de suspender o Acordo de Schengen com Madri por um mês e restabelecer o controle de passaportes para viajantes provenientes da Espanha.
"Houve Estados que não estiveram à altura, houve governos que não estiveram à altura, houve políticos e partidos que também não estiveram à altura.
O governo italiano foi um deles", disse Albares.
A Itália foi o país da União Europeia mais crítico à Espanha após a crise migratória em Ceuta, cidade que foi invadida por dezenas de milhares de pessoas provenientes do Marrocos na última quinta-feira (30).
Além da suspensão do Acordo de Schengen, o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, insinuou que a emergência no exclave espanhol pode ter sido impulsionada pela decisão de Madri de regularizar a situação de 500 mil imigrantes.
"A diferença entre as políticas de imigração italiana e espanhola é substancial. A Espanha decidiu regularizar meio milhão de imigrantes, e quase 1 milhão de pessoas se candidataram. Na nossa opinião, essa política incentiva a imigração irregular", afirmou Tajani no último fim de semana.
Albares, por sua vez, lembrou que a Itália é o país com "maior número de entradas irregulares" de deslocados internacionais na União Europeia e citou a situação na ilha de Lampedusa, uma das principais portas de ingresso para migrantes forçados no bloco.
"A Itália não é capaz de resolver essa situação, muito menos como a Espanha fez. A Itália bem que gostaria de resolver a situação em Lampedusa", declarou o ministro.
Na última quinta-feira, entre 50 mil e 60 mil pessoas provenientes do Marrocos entraram em Ceuta sem autorização, com o objetivo de chegar à Espanha continental e à UE. Segundo Albares, a "imensa maioria" desses indivíduos já foi repatriada. "Até o último que entrou vai voltar ao Marrocos", prometeu.
Na entrevista, o chanceler ainda cobrou solidariedade dos países europeus para lidar com a crise migratória, que será tema de uma reunião ministerial dos 27 Estados-membros nesta terça-feira (4). "Sem solidariedade, não existe Europa", disse.
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