Internacional

UE não pretende flexibilizar normas sanitárias para carne brasileira, diz embaixador

Segundo diplomata, Brasil não poderá exportar produtos de origem animal a partir de 3/9

Redação ANSA 21/07/2026
UE não pretende flexibilizar normas sanitárias para carne brasileira, diz embaixador
UE discutiu amplamente regras europeias com Brasil - Foto: ANSA

União Europeia (UE) não pretende flexibilizar as normas sanitárias que regulam a importação de carne e outros produtos de origem animal do Brasil para o mercado europeu.

A informação foi confirmada pelo embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, em entrevista ao portal de notícias G1, divulgada nesta terça-feira (21). A Irlanda ocupa a presidência rotativa do Conselho da União Europeia.

Segundo Gallager, as exportações brasileiras poderão ser suspensas a partir de 3 de setembro caso o país não cumpra os requisitos exigidos pelo bloco.

Na entrevista, o diplomata explicou que as regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária estão em vigor há anos e foram amplamente discutidas com as autoridades brasileiras.

Gallager confirmou ainda que o Brasil foi retirado da lista de países considerados em conformidade com as normas sanitárias da União Europeia. Caso a situação não seja regularizada, ficarão impedidas de entrar no mercado europeu as exportações brasileiras de carne bovina, carne de aves, carne equina, além de peixe, mel e tripas de origem animal.

De acordo com o embaixador da Irlanda, a decisão foi classificada como "técnica" e cabe ao governo brasileiro adotar as medidas necessárias para atender às exigências do bloco.

"As regras são muito simples: quem cumpre as normas permanece na lista; quem não cumpre é removido", declarou ele.

Gallager acrescentou que a UE continua aberta ao diálogo com o Brasil para encontrar uma solução, mas reiterou que a responsabilidade pela adequação às normas sanitárias é das autoridades brasileiras.

Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) alertou que o setor dificilmente conseguirá atender às novas exigências até setembro.

Para a entidade, seriam necessários cerca de 30 meses para adaptar toda a cadeia de produção da carne bovina aos padrões estabelecidos pela União Europeia.