Internacional
Em meio a crise, Parlamento da Ucrânia aprova novo premiê
Demissão de ministro da Defesa gerou protestos no país
O Parlamento da Ucrânia aprovou nesta quinta-feira (16) a nomeação de Sergiy Koretsky como novo primeiro-ministro do país, como parte de uma contestada reestruturação do governo liderada pelo presidente Volodymyr Zelensky.
A Verkhovna Rada confirmou a indicação com 289 votos favoráveis entre 318 deputados presentes.
Koretsky, 48 anos, é ex-CEO da gigante estatal de energia Naftogaz e assume o cargo em um momento de desafios para a Ucrânia, que enfrenta um recrudescimento do conflito de mais de quatro anos com a Rússia e a necessidade de reconstrução econômica.
"Superamos o inverno mais rigoroso e garantimos o fornecimento ininterrupto de gás aos ucranianos, apesar das perdas significativas em nossa própria produção", disse Koretsky em discurso no Parlamento, celebrando suas conquistas à frente da Naftogaz.
"Provamos que a administração pública pode e deve ser eficaz", acrescentou o novo premiê. Ele substitui Yulia Svyrydenko, que renunciou na última terça-feira (14) para abrir caminho para a reforma ministerial.
Zelensky, no entanto, não explicou claramente os motivos da reestruturação, que desencadeou protestos nesta quinta por causa da destituição do popular ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, que havia entrado em rota de colisão com o comandante do Exército, Oleksandr Syrsky.
"Um presidente em tempos de guerra não deveria ser obrigado a escolher em uma situação do tipo, honestamente", declarou Zelensky, que cobrou "união" dos militares.
Fedorov havia sido incumbido de modernizar o Exército, desgastado após mais de quatro anos de guerra, e aumentou salários, anunciou planos de desmobilização parcial e introduziu sistemas de recompensa para as unidades que eliminassem o maior número de soldados russos.
Mas o estilo disruptivo do agora ex-ministro gerou embates com as alas mais tradicionais das Forças Armadas. "Todas as iniciativas que propúnhamos começaram a ser barradas, e Syrsky não está pronto para olhar nos seus olhos e falar abertamente sobre esses problemas", disse Fedorov em uma coletiva de imprensa nesta quinta.
O Ministério da Defesa foi assumido interinamente por Yevgeny Khmara, funcionário de carreira dos serviços secretos.
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